terça-feira, 20 de novembro de 2007

Trabalho, Velhas e Rock 'n' Roll

Como de costume, acordo cedo pra trabalhar. Mais facilmente do que ontem, já que hoje é terça feira. Aí você pára e pergunta: "Pô, esse cara mora em São Paulo! É feriado!". Sim, eu sei. Mas lembra? Tenho que compensar as horas. Mas isso foi até bom, já conto mais pra frente.

O dia estava muito bonito. Por mais que aquele ser detestável cujo nome começa com M cruzasse o meu caminho, eu não me deixaria abalar. E ele tentou. O ônibus quebrou. Me juntei ao mó de gente que estava se enfiando de qualquer forma no busão da frente. E fui embora, mostrando a língua pra idiota do Murphy que ficou do lado de fora.

Eu tive a sensação de estar trabalhando em um domingo. Meu Deus! Lojas, fliperamas e até restaurantes fechados! Mal cheguei e a chefe que me faria companhia (ou eu faria companhia pra ela) disse que eu tinha chegado cedo demais. Como assim? Sim, cedo. Embora o busão tenha quebrado, não perdi muito tempo já que entrei no da frente. Era 7:58 quando abri a porta do escritório. Eu estava na hora certa. Não, não estava. Ela apenas esqueceu de me avisar que o expediente hoje começava as 9:00. Mas isso foi muito bom! De fato, ela percebeu que sou um funcionário competente (*ham-ham*) e disse que eu podia sair uma hora mais cedo. E mais: se eu batesse um lanchinho rápido na hora do almoço pra me manter de pé e matasse esta hora, seria uma hora a menos a mais (que cacofonia estranha). Meu horário foi fixado então: das 8h às 15h sem intervalo. E o que eu tinha que fazer em um setor de banco falido em que trabalham mais de 5 funcionários mas só 2 tinham ido? Arquivar! Delícia fazer isso. O tempo não passa mais rápido, o serviço não rende e eu ainda faço musculação carregando caixas de rearquivo que pesam mais de 20Kg cada!

Por volta das 13h o chefe chegou. Ferrou. Meus planos de sair mais cedo falharam. Droga! Será que Aquele-Que-Não-Se-Deve-Nomear veio junto? Não, não veio. O chefe mal chegou e a querida Dinah já disse que eu sairia mais cedo. E ele aceitou. Ufa!

Tudo o que ele fez foi me tirar daquela função de arquivamento para colocar na de analista de relatório. Isso fez o tempo realmente voar. Como em Brasília não é feriado hoje, o pessoal da Caixa Econômica Federal trabalhou e fez a gente trabalhar com os relatórios. Fundimos tanto nossos cérebros que o chefe tomou uma atitude sábia: "Não adianta ficar aqui nos matando pra descobrir o que há de errado com eles. Vamos embora. Amanhã a gente vê isso.". Olhei para o relógio quando ele falou isso: 14:55. Maravilha! Vamos todos embora!

O ponto de ônibus de volta pra casa fica de frente para uma doceria. Saco. Eu olhei para dentro e vi algumas caixas de chocolate empilhadas. "Não, você não vai fazer isso! Ainda tem um pingente para pagar", pensei eu. "Mas o pingente é baratinho! Um ou dois chocolates não vão fazer mal!" repensei. "Pare imediatamente! Eu estou mandando você parar e desviar o caminho." relutei. "Chocolate é mais forte! Desista!". "Nunca! Pare com isso agora!". "Já comprei! E você não pôde fazer nada pra parar! Lero lero!". Como eu odeio auto-conflito. Acabei comprando duas caixas de Twix com 30 unidades cada. Ah, não posso fazer nada! Elas estavam baratinhas e olhando pra mim como se quisessem se atirar para dentro da minha boca. Isso tudo é culpa do ônibus que demorou a passar. Por outro lado, foi até bom. Isso me lembra meus grandes amigos Henrique e o Zé (oi, Zé!) onde gritávamos pela rua "Carameeeeelo", "Biscoiito","Chocolaaaaate". Ah, finalmente! Terminal Capelinha.

Entrei no ônibus seguido de algumas pessoas pelas quais nem olhei no rosto delas. Avistei um banco vazio. Era amarelo, mas estava vazio. Não, eu não sentei. Eu tenho ódio de banquinhos amarelos. Lembrei da última vez que me deparei com lugares vazios desse tipo. Estávamos a Katarina e eu (e o burro na frente) entrando em uma perua quando vimos que vários assentos estavam livres, mas nenhum duplo, apenas o amarelo. Sentamos nele, afinal temos que ficar um do lado do outro. De repente, do nada, ouvimos uma voz esganiçada e estridente de uma velha no mínimo simpática dizendo: "Olha o assento reservado! Vamos respeitar! Juventude dos infernos!". Eu juro que se ela não não tivesse sido tão inconveniente a ponte de me deixar com uma veia saltando na testa, eu deixaria a velha sentar. Mas não deixei. Tinha uma porção de bancos vazios lá atrás. Ela que se virasse, pô! Muito bem, voltando ao dia de hoje, eu não sentei no assento amarelo. Em contra-partida eu fiquei de pé em um ponto estratégico na qual não atrapalharia nenhum homem-médio. Foi quando uma velha maldita apareceu olhando pra mim. Eu olhei pra ela e fingi que não notei. Ela me cutucou e disse: "Eu quero ficar aí, dá pra sair?". Essa é boa! Eu já tinha ouvido falar em assento preferencial, mas "alevanto" pra velhas é f*da! Eu saí, odeio discutir com velhas. Quando faço isso, o dó toma conta de mim e acabo vencido. Saí pra que ela pudesse ficar ali, coitada.

Nas proximidades do estádio do Morumbi um infeliz liga seu Motorola V3 e começa a ouvir funk. Eu posso ser chato ou intolerante. Mas escutar funk num busão parcialmente lotado, ninguém merece! Funk carioca ainda, daqueles bem rala-coxa. Eu olhei para a janela e vi uma placa enorme escrito "É PROIBIDO O USO DE APARELHOS SONOROS". Saco, esse povo não sabe ler? A minha sorte é que eu ando armado: saquei meu Sony Ericsson Walkman e, com meus mega-fones de ouvido que eu tanto amo, coloquei no repertório que salvou minha tarde: Rage Against the Machine - Killing in the Name (onde me controlei para não berrar e dançar no busão (apesar de não ter conseguido muito)), Kiss - Rock and Roll All Nite, The Offspring - Pretty Fly, Steppen Wolf - Born to be Wild, The Sweet - Ballroom Blitz e Deep Purple - Smoke on the Water. o meio destas músicas, o telefone tocou. Era a Cris. Seria muito bom encontrar com ela pra gente trocar uma idéia e zoarmos um pouquinho. Pena que ela tinha ligado meio tarde pra isso.

Cheguei em casa vejo: MEUS PAIS CHEGARAM!! Eles estavam aproveitando o feriado para dar uma passeada legal. Caramba, foi muito bom revê-los. Nunca vi minha mãe tão sorridente como ela estava hoje. Realmente o stress dela estava extinto. E ela estava só esperando eu chegar pra dar as lembrancinhas da viagem. Eis que entre as várias camisetas e meias eu vejo algo que me interessou muito: um vidro de perfume que eu tanto queria estava a poucos metros da minha mão quando algo me intercepta mais ainda. Minha mãe segurando um pacote em formato de paralelepípedo soando o famoso "tcham-tcham-tcham-tcham". Não. Sim. Não. Sim. SIM!!! UM PLAYSTATION DOIS, PORRA!!! FINALMENTE ESTOU PLAYSTATIONIZADO!!! Foi uma gritaria legal. Vamos jogar! Vamos jogar!! Ué, cadê os jogos? Tá, fica pra semana que vem.

É isso aí, gente. Depois de comer de forma animalesca um prato com arroz, feijão, salada e peixe e beber Coca-Cola, vim blogar. Contar um pouquinho da minha rotina pra quem quer saber (ou não) como foi. Um forte abraço!

1 análises:

Roberto Salinas disse...

Acho que nossos pais se enganaram ao registrar nossos nomes do cartórios, pois no campo 'nome' deveria ser "Murphy".

Notei que desta vez meu nome não apareceu no meio, viva! (Como assim não apareceu no meio!?)

Enfim, graças aos presentes, (aliás, meus parabéns) terei que me esforçar bastante para me superar. E agora, o que devo comprar? Nada de sugestões, pois suas sugestões são caras, haha!