
Em algums lugares que freqüento algumas pessoas me chamam de "Retrô". Ou tentaram chamar, mas apelido é uma coisa que não pega em mim. O caso é que eu curto muito as coisas do século passado, especialmente da década passada. Os anos 90 foram anos inesquecíveis, principalmente para o povo brasileiro, uma vez que finalmente foi concedido o governo a ele (Constituição Federal de 1988).
Mas não pensando muito no lado político, trataremos apenas o que gostamos de lembrar. Música! Muito bem, música! Esses dias eu fiquei morrendo de vontade de ouvir aquela música que tocava bastante quando eu era mais novo. Aquela que repetia uma frase mais ou menos assim: "Parapapapa Pí-papapara-pô! Papapara-pô! Pí-papapara-pô! Papapara-pô!". Só não sabia o nome (mais tarde descoberto). O cara que canta chama "Scatman". Todas as músicas dele, pelo menos as que eu ouvi, tem partes que ele mesmo faz o barulho da batida com a própria boca. E muito bem feito. Esse esquema de batidas usando a própria voz é chamado de "Scat" - daí o nome artístico Scatman, ou Homem-Scat. Músicas cantadas por ele como "I'm Scatman" ou "Scatman's World" trazem lembranças realmente nostálgicas. Ele era o verdadeiro gênio da música Dance dos anos 90. Aliás, na minha opinião, continua sendo, principalmente pelo fato de quase não existir mais o Dance hoje em dia. Tal ritmo ganhou batidas mais fortes e mais instrumentos eletrônicos, tornando-se no conhecido "Techno", uma vez chamado de "Poperô".
Não sei quanto a vocês, mas eu quando gosto de uma música, se ela for estrangeira, procuro a letra pra compreender. Se for nacional, presto a atenção. Simples assim. Por isso que não me cabe na cabeça o fato de certas músicas fazerem sucesso sendo que são bem vazias. Em todos os sentidos. No ritmo, na letra, nas palavras usadas. Não me cabe o fato de uma talzinha de "Vanessa da Mata" (é assim que escreve?) fazer tanto sucesso com uma música tão ruim! Mesmo aquelas músicas mais criticadas naquela época faziam sentido! Kiss, sim, aqueles caras que cantavam com o rosto pintado. Eles mandavam um som legal, agradável e com letras que fazem sentido. Muito bem elaboradas. E ao contrário do que muitos pensam só de ver a aparência, eles não mandavam Heavy Metal. Eles mandavam Rock 'n' Roll mesmo! Quer algo mais perto? Lembramos então do Grupo Dominó e do Polegar. Músicas bem trabalhadas, bem cantadas, ritmos suaves, audíveis. Não tem como esquecer daquela música em que dizia "Companheiro, companheiro vem! Vem no balanço do mar! Vem depressa, vem depressa, vem! É tão gostoso dançar! É tão gostoso dançar!". Voltando mais ainda a fita, temos o Rei Roberto Carlos cantando músicas que um dia também fizeram parte da juventude. "Guerra dos Meninos" é uma que arrepia mesmo quem ouvir: "De todos os lugares vinham aos milhares e em pouco tempo eram milhões. Invadindo ruas, campos e cidades, espalhando amor aos corações...". Tudo bem que em certa época, lá pra 1995, a música brasileira começou a avacalhar um pouco com os Mamonas Assassinas. De qualquer forma, eram músicas que faziam sentido, tinham harmonia. Tim Maia também arrasou juntamente com o exército de MPB. Um gênio que se destacou, apesar das grandes críticas que caíam sob a pessoa dele foi Gabriel. Sim, o Pensador. Tirando raras músicas da autoria dele, todas são muito bem feitas, muito bem harmoniosas, rimas ricas, temas polêmicos, letra impecável.
Os garotos da Legião Urbana faziam sua parte muito bem feita. Paralamas do Sucesso, Titãs, Skank, Cassia Eller, Simone, Rita Lee, sempre mandaram um pop-rock de primeira. Chitãozinho & Xororó, Leandro e Leonardo e Zezé di Camargo & Luciano, todos os Amigos, não perderam a linha, fazendo a parte deles. Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, samba de professores.
Foi por volta de 1997 a 1999, fim dos tempos, que a coisa começou a tomar outros rumos. Começaram a surgir bandas cujos integrantes não cabiam em um CD de tanta gente!! E que pagodinho ruim esse que eles tocavam hein! No máximo dois caras cantando, cinco tocando pandeiro, cinco no cavaco, mais sete no chocalho e doze atrás fazendo passinhos ridiculamente treinados, de no máximo 3 movimentos diferentes. Em 2000 a coisa já começou a mudar: o funk rala-coxa começou a sair do buraco do Rio para se espalhar pelo país inteiro. Músicas sem harmonia, batidas horríveis e - o que é pior - letras que induzem ao sexo sujo, desprotegido e sem compromisso e à violência. Músicas estas cantadas por pessoas que nem falar conseguem direito, possuem voz de biscate ou de drogados. E o que me deixa mais desapontado é que o Brasil inteiro entra nessa maldita onda de sexo, drogas e violência! Aí me vem uma que acha que é boa para dar palpites e me diz: "O funk é cultura, é Brasil". Ah, vá se lascar, dona filha do ministro!! Se fosse Brasil, funk se escreveria com à e com QUE. E se fosse cultura, ensinariam essas merdas que saem gritando nas músicas nas escolas e colégios. "Funk é a realidade do povo carioca!" Ótimo, se os cariocas se entregam ao sexo como animais descontrolados no cio, ótimo pra eles. Se eles se matam ao mesmo tempo em que estão num baile e não estão nem aí, ótimo pra eles de novo. Só não venha fazer disso uma diversão, uma música que se espalha por todo o país, porque senão teremos mais uma vez crianças de 14 anos perdendo a virgindade da forma mais porca e nojenta possível, sem nem saber o que é isso. E pior: contraíndo o vírus HIV, sim, o da AIDS, e conseqüentemente passando-o para seu filho. Sensacionalismo? Pergunte então àquela garota que aconteceu isso como ela está hoje. E como está o filho dela. E mais: pergunte quem é o pai. E por falar em AIDS, aposto que aquela que disse que o "funk é cultura" nem sabe o que é isso, só sabe que é ruim. Quanta decepção, hein dona filha do ministro!
Ainda há o que se salvar na música de hoje. Pitty (que era horrível no início, mas aprendeu a fazer música de verdade), Capital Inicial, entre outras bandas, fazem de tudo para salvar esse lixo inaudível. Pior é ver que músicas do Grupo Molejo e do Negritude Jr. são copiadas sem escrúpulo algum por uma banda ridícula que faz mais sucesso do que picolé no deserto.
Podem me xingar, podem me bater, podem falar o que quiserem para defender quem eu alfinetei aqui. Mas não vão conseguir fazer com que eu mude de idéia. Não mudo, não mudo, não mudo. A incultura está levando este país pro fundo. E eu sou muito patriota pra deixar isso acontecer sem nem ligar pro que está acontecendo. Como diria meu amigo Nostradamus: "Depois não diga que não avisei!".







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