Ele sabia que o alvo interagia e usava seu veneno para se extasiar
E reclamava do mundo ao seu redor, mas sabia isso de cor, que não dava pra mudar
Ficou parado, olhando para ela, estava a sua espera e ela mudava de lugar
Na verdade esperava um milagre, pra que o dia não acabe
Pra arrumar todos os erros, pra pagar o desespero das coisas que só ele sabe
Eu tive pena, ela não estava mais ali e para ele tudo era incerto, apenas
Não dava mais pra fingir, como um ator, não podia se saciar com suas ameaças pequenas
A vaguidão específica tomou o lugar de seu amor que perdera a calma serena
Um pequeno sorriso para sua desgraça sem cor, se transformando em uma hiena
Um tiro certo pra acabar com a dor, eu estava certo quando tive pena
O mundo agora parecia novo
Estava mais leve, cheio de pessoas vazias
Deitado lá estava um corpo
Que antes, com vida, tinha a mesma mania
A mania de amar demais
Ela desceu a rua, a pele do seu rosto nua, com vontade de chorar
Apertou o passo, lembrou do traço, até que parou de andar
Seu coração sangrava, sua lágrima molhava o rosto que estava a suar
Um último adeus, nos pensamentos seus, estava a desejar
Mas quando chegou não teve jeito, chorou até não poder mais
Deu um suspiro e com mais um tiro pôde descansar em paz
O mundo agora parecia novo
Estava mais leve, cheio de pessoas vazias
Deitado lá estava outro corpo
Que antes, com vida, tinha a mesma mania
A mania de amar demais
Ariel Salgado Nascimento







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