segunda-feira, 24 de março de 2008

Sua excelência, o canditado

Sexta-feira é um ótimo dia, convenhamos! Ótimo para finalizar o serviço da semana, ótimo para acabar os trabalhos da faculdade, ótimo para aproveitar a noite muito bem, principalmente quando for feriado. Pode-se dizer então que minha sexta-feira foi muito bem aproveitada. E se não der pra aproveitar na sexta, vai sábado mesmo.
O melhor remédio para se livrar do estress, da irritação e do acúmulo de serviço é rir. Claro, quanto mais intensa a risada (ou gargalhada), melhor o seu estado de espírito será. Por isso, recomendo a todos a comédia de Jandira Martini e Marcos Caruso: "Sua excelência, o candidato". Estrelado por Thiago Fragoso, o espetáculo conta com um formoso elenco formado por Norival Rizzo, Wilson de Santos, Paulo Coronato, Tânia Casttello, Lara Córdola e Massayuki Yamamoto. Estará em cartaz de apresentação até dia 06/04 em São Paulo, SP no teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153 - Bela Vista). O ingresso custa R$ 40,00 inteiro e R$ 20,00 meio. Sexta às 21:30, sábado às 21:00 e domingo às 19:00. Faixa etária: 12 anos.

O espetáculo conta a história de um candidato a um cargo público político que passa por inúmeras dificuldades e apertos dos mais variados, garantindo ao público horas inteiras de intensas risadas. Segundo alguns críticos, a peça bate inclusive o premiadíssimo "Os Monólogos da Vagina" de Miguel Falabella. Vale a pena conferir.

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Bem, sexta-feira eu estava indo ao teatro com a Katy para garantirmos o nosso feriado com sucesso. A peça começaria as 21:30, mas como tínhamos VIPs, teríamos que chegar um pouco mais cedo para trocá-los. Coisa de 2 horas mais cedo. Puxa vida, 19:00 e a gente tá aqui na frente do teatro sem poder entrar. O que vamos fazer? Uma voltinha não mata ninguém.

Depois de passarmos por uma escola de balé e teatro, resolvemos que teríamos que comer alguma coisa para o tempo passar rápido. Avistei uma fachada interessante no outro lado da rua. Era uma combinação de vermelho e verde, e o nome do lugar era "La Roma". Oba, pizzaria! Vamos comer lá então.

Mal cheguei à porta e o pessoal que estava conversando imediatamente parou para nos ver entrar. Eu fiquei assustado, juro. Não só pela parada repentina de todos que deveriam estar pensando algo como "O que um preto pobre faz aqui?!", mas como também por perceber que tratava-se de um lugar CHIQUÉEEEEEERRIMO, bem! Eu e a Katy estávamos bem vestidos, mas isso não era motivo pra extravasar. E eu pensando "vou embora daqui, vou embora daqui!", mas não deu muito certo não. O garçom já foi me empurrando com um simpático "Boa Noite, senhor!" seguido de bons tratamentos com minha namorada. Não pude resistir. Um suquinho já estaria bom. Ele trouxe o "mení" enquanto lotava a mesa de entradas gostosas. Quando abri o livreto, quase caí de costas. Todos os pratos tinham valores que começavam com 4 e possuíam mais de 1 algarismo (pra quem não entendeu: eram todos acima de R$ 40,00). Sangue de Jesus tenha o pudê! Mas como dizem: ajoelhou, tem que rezar! "Pode escolher qualquer coisa, amor" eu disse. "Tem certeza?!" perguntou a Katy, provando minha sanidade. É, certeza eu não tinha, né? Mas fazer o quê?

No final acabamos pedindo só uma porção de bolinhos de bacalhau e um pudim de leite. No meio da "janta", tivemos direito a música de violão e sanfona por músicos profissa, mano! A Katy pediu "Brasileirinha" e ofereceu a mim. Nossa, eles tocaram com maestria e sem defeitos. Estou batendo palmas pra eles até hoje. Realmente lavei a alma.

Depois de quase arrancar o olho pra pagar, fomos ao espetáculo. E que espetáculo, hein! Oficialmente a peça tem duração de 60 minutos, começando as 21:30 e terminando as 22:30. Mas eu não sei o que houve, pois não tivemos nenhuma parada e nem intervalo. Acho que foi improviso dos atores mesmo, fora que alguns deles se desconcentravam, principalmente uma das atrizes que ao ouvir a tremenda gargalhada histérica da minha irmã não se conteve e também começou a rir. O tempo total foi de uns 120 minutos. E posso afirmar que fiquei pelo menos 2 segundos desses 120 minutos rir, principalmente na atuação do personagem Athos, o porta-voz do candidato. Quanto mais eu ria, mais eu chorava. E o mais desesperador é que eu não conseguia parar de rir e com isso eu não respirava. Sabe-se lá Deus como eu conseguia fôlego pra puxar a gargalhada que vinha de lá do fundo do diafragma. O resultado foi a perda parcial da voz que se prolonga até agora e um estado de espírito sem igual de tão bem-humorado. Vale a pena fazer coisas diferentes! Eu descobri uma nova paixão: o teatro!

Mais à noite, como já não tinha mais ônibus, pegamos carona com um amigo nosso, namorado da minha prima (nos encontramos todos depois que saí daquele restaurante). Chegamos em casa mortos, mas bem humorados, com uma noite que dificilmente será esquecida.

"Kagashima queru dinheiru agora para dividiru com coregas de turabariu!"
- Kagashima invadindo o apartamento.

"Ela estava ali? Estava ali ela? Hein?! Você a viu? Viu ela? Eu não vi! Você viu? Eu também vi! Cuidava de gatinhos ela! Sim, ela mesma cuidava de gatinhos, porque eu a vi! Você a viu? Eu acho que você não viu! Você está ficando muito cego! Você viu? Ela não estava lá! Você não viu nada quem viu fui eu! Eu quem vi! Ela estava ali cuidando de gatinhos! Eu vi porqu'EU sou o porta-voz! Você é o porta-voz? Não, você não é o porta-voz! Por isso não viu os gatinhos que a traveca tava cuidando! Eu vi, por isso eu sei que eu vi! Eu vi! Você viu ela ali? Sentada, engatinhada? Você viu? Eu também vi! Eu vi porque eu que sou o porta-voz!!! SE LIGA CABEÇÃO!!!"
- Athos dando piti.