Eu lembro muito bem da minha infância. De todas as coisas que eu brincava, de todos os programas que eu assistia, de tudo aquilo que ao lembrar me dá uma enorme nostalgia. Eu sou do finalzinho da década de 80, tendo uma infância que perdurou até o final da década de 90. Finalmente em 2001 começou a "aborrecência". Mas vamos nos conter aqui na infância.Quando eu era moleque, mas bem moleque mesmo, na época em que não existia videogames e eu me contentava com brinquedos do estilo "Comandos em Ação", eu tinha uma incrível mania de brincar com as tampas das panelas da minha mãe. Inspiração? Lembram daquele desenho "Caverna do Dragão"? Pois então, eu adorava o Eric, por isso queria ter um escudo igual ao dele. As panelas da minha mãe propiciavam essa diversão, realizando o meu sonho. Mais tarde, fascinado com os filmes do Christopher Reeves, amarrei uma toalha no pescoço, subi na cama da minha mãe, tomei impulso, pulei e... BUM!! Cabeça na parede. E o pirralho chorando, dizendo "eu queria voar igual ao super homem!". Imagine qual foi a primeira reação da minha mãe. Sim, foi essa mesma: ela quase rolou no chão de tanto rir.
Tomar banho dentro do tanque de lavar roupas com roupa e tênis era minha atividade preferida aos 4 anos de idade. E eu não fazia isso rindo não, eu era sério. Simplesmente subia no tanque, ligava a torneira e ficava debaixo da água corrente, sem jogar água pros lados, sem brincar, sem nada. Só ali, parado, recebendo a água na cabeça. Moleque lesado, né?
De manhã era o Bozo, a Vovó Mafalda e o Papai Papudo quem proporcionavam a felicidade do pirralho aqui. Pica-pau, Tom e Jerry, Corrida Maluca, Chaves, Chapolim! Nossa, eu ficava fascinado com todos esses programas. Era tudo muito mágico! Aí chegavam as tardes. Ah, tardes fantásticas da Rede Manchete com o programa da Angélica! Jaspion, Changeman, Flashman, Jiraya e Kamen Rider Black! Mais tarde, depois que a Angélica foi pro SBT, a Duda começou a apresentar o "Duda Alegria" que trazia, além dessas séries japonesas que marcaram a infância de todos os moleques da minha idade, o grande "Os Cavaleiros do Zodíaco", juntamente com aquela vasta coleção de bonequinhos da BanDai com armaduras de metal. Uau! Grande queima de estoques das lojas e de dinheiro dos pais no natal daquele ano. Eu lembro de pedir o Shiryu de Dragão. Só que como eu e a torcida do Flamengo inteira queria aquele bonequinho, "Papai Noel disse que não tinha mais", segundo minha mãe. Aí eu me contentei com o Dohko de Libra, que eu fingia ser o mesmo que o Dragão. Para terminar, de noitezinha, depois do "Mundo da Lua" com o Lucas Silva e Silva, começava o Glub-Glub e sua bateria de desenhos super legais, incluindo "Tintin", "A Rua dos Pombos" e "Bule, o boneco de neve", fora os "Rá-tim-bum" da vida.
Outro marco histórico da minha infância foi quando eu finalmente, depois de muito tempo vendo só na casa dos outros e na TV (principalmente naquele programa do Gugu, o GameTV), meu pai presenteou-nos (a mim e aos meus irmãos) no dia das crianças com um MASTER SYSTEM II! Videogame de última geração, suporte a Pistola Light Phaser e aos incríveis óculos 3D que faziam os maravilhosos e fantásticos gráficos em impossíveis 8-bits se tornarem praticamente reais! Vinha com o saudoso "Alex Kidd in Miracle World" na memória. É, foi uma época linda. Pra se ter noção, meu próximo videogame foi um Nintendo64 que eu consegui em 2001 (por alguns meros momentos, já que não gostamos muito dele e resolvemos devolvê-lo no prazo de 7 dias, como descrito no Código do Consumidor).Depois desse presentão, sosseguei a bunda no sofá. Meu vício era tanto que, ao ver uma reportagem do "Globo Repórter" onde dizia que os flashes produzidos por alguns jogos causavam epilepsia, minha mãe desesperou-se e cortou o videogame de segunda a quinta-feira com a desculpa de que atrapalharia nos nossos estudos. Sendo assim, julho, dezembro e janeiro tinham passes livres pra jogos.
Por estar proibido de jogar nos dias úteis, aos 7 anos de idade eu me enchi e dei meu primeiro piti. Fui pra cozinha fazer mais uma arte. Vi no livro de receitas: brigadeiro. Foi minha primeira experiência. Derreti a manteiga, taquei leite condensado e Nescau e fiquei ali mexendo até meu bracinho cansar. Frisando que não foi com a ajuda de ninguém. Ficou delicioso, apesar de eu ter queimado a panela da minha mãe que, ao mesmo tempo em que ficou admirada ao me ver fazendo aquilo, me deu uma baita duma bronca.Alguns dias depois e fui me meter a fazer de novo o brigadeiro. Mas não tinha leite condensado. E agora, o que eu ia fazer? Foi quando eu vi algumas páginas do livro de receitas mais a frente: "Leite condensado". Uau, vamos fazer! Mas o que eu não desconfiava era que tinham escrito erroneamente o nome da receita, já que era pra fazer DOCE DE LEITE! E lá fiquei eu por mais de 3 horas (sem exagero) mexendo a porcaria do leite lá na tigela até ele se transformar em um lindo e delicioso doce de leite como nunca havia experimentado em toda a minha vida. Estava realmente divino!
Mas eu ainda não estava contente. Verifiquei que os meus dotes culinários eram bons,
especialmente quando eram aproveitados em doces. O que eu fiz então? Em uma tarde que minha irmã foi trabalhar, fiquei sozinho bolando um plano mirabolante enquanto assistia "Loucademia de Polícia 6" na Sessão da Tarde. Casadinho! Foi a primeira coisa que veio na cabeça. Bora fazer. Goiabada para o recheio tinha de sobra. Farinha, ovos, leite, fermento... fermento... fermento... Ih, acabou o fermento! Ah, mas eu lembro o que a tia da escola disse um dia quando alguém perguntou o que era amoníaco: "É um produto usado pelas padarias pra fazer o bolo crescer. É como se fosse o fermento!" Amoníaco tem, então vamos embora! Ao abrir o potinho, resolvi dar uma cheiradinha. Arght, cheiro ruim dos infernos, até me deixou tonto. (Mais tarde fui descobrir que era um cheiro altamente tóxico). Fiz a massa, recheei com a goiabada e levei ao forno. Foi a melhor receita que eu já fiz em toda a minha vida! Estou com o gostinho dela na boca até agora. E minha mãe? "Que bagunça toda é essa moleque?! Tem farinha até no teto!! Amoníaco?!!? TÁ MALUCO?! Isso mata!! E esses biscoitinhos, quem fez? Hum... Nossa! Foi você quem fez?? Nossa, Lega (como ela me chamava), tá uma delícia! Você fez isso sozinho? Hahahaha! Eu não acrediiiiito!!"
Como não era sempre que eu estava fazendo algo na cozinha e nem jogando videogame, passava boa parte do meu tempo assistindo aos desenhos da TV e brincando de bonequinhos, inicialmente da coleção "Comandos em Ação", passando para outros devido à extinção destes. O mais interessante é que eu não gostava de brincar como se os bonequinhos fossem os personagens da TV. Vou explicar: eu tive um bonequinho muito da hora do Homem-Aranha. Ele era todo azul e transparente, tinha até músculos! Só que pra mim ele não era o Homem-Aranha. Eu o chamava de "Skyter". Era um personagem criado exclusivamente por mim, que dirigia um avião (que era do Pinguim do Batman) e atirava bolas de plasma e de choque nos inimigos que eram, normalmente, representados por aqueles "Power Rangers vira-a-cabeça". Quanta imaginação! Talvez por isso que eu tenha essa facilidade de escrever contos e histórias fictícias. Estou trabalhando na publicação do meu primeiro livro, quem quiser me dar uma mãozinha, serei eternamente grato.Quando eu viajava pra MG, lá no fim do mundo da Zona da Mata, eu tinha a chance de impinar pipa e de jogar bolinhas de gude. Mas só lá, porque tinha espaço e não tinha tantos fios e cabos elétricos nas ruas. Andar de bicicleta eu sempre quis, mas fui aprender só depois de adolescente. Gibis, livretos e livros infantis era o que eu devorava quando cansava de fazer todo o resto. E assim surgiu o que hoje é conhecido como Ariel Salgado. Desde criança me interessei por criar, usar a minha criatividade. Desde criança me interessei pela cozinha. Desde criança me interessei pela leitura e pela tecnologia. E sou assim até hoje. É engraçado ver o modo que as pessoas nascem já tendo o próprio jeito, a própria natureza, que não vai modificar, que se manterá pelo resto da vida dessas pessoas. O homem é engraçado.







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