PARTE 2 - Funções dos Chakras
Iniciaremos o estudo das principais funções de cada um dos chakras pelo esplênico ou svadisthâna, por motivos que serão facilente percebidos.
O chakra esplênico é o centro distribuidor de prâna por excelência. Está, pois, na função direta da vida biológica, por assim dizer. Absorvendo os sete tipos de prâna, distribui-os através de seus seis raios para os demais chakras e para outras partes do corpo. A corrente rósea que brota do centro do chakra vitaliza o sistema nervoso e é a portadora do prâna físico, isto é, do prâna encarregado de manter a vida no organismo físico. São os átomos (partículas de matéria éter 1) carregados de prâna róseo, que, além de vitalizar o sistema nervoso, têm a propriedade de passar de um indivíduo para outro, levando a este a vitalidade que lhe faltava. Esta falta torna o homem extremamente sensível e irritável. O alívio se torna imediato logo que outra pessoa, dotada de muita vitalidade, derrama em seus nervos os átomos róseos que lhe faltam.
As partículas carregadas de prâna róseo absorvidas pelo organismo, espalhando em todas as direções, formam o chamado aura da saúde. O aura da saúde tem por função principal proteger o homem contra a invasão dos germes mórbidos. No estado de perfeita saúde, essas partículas são projetadas, através de poros, em linha reta, dando ao aura um aspecto estriado. Enquanto as linhas se conservarem rígidas, o corpo está mais ou menos ao abrigo de más influências físicas, tais como os germes das doenças, que são literalmente afastadas pelas correntes centrífugas da força prânica. Sobrevindo o enfraquecimento, por exemplo, de uma grande fadiga, de um ferimento, de um desregramento, a quantidade desses globos vitais diminui, facilitando a entrada dos germes perniciosos.
Um homem com excesso de vitalidade é para quando o cercam uma fonte de vida, que ele distribui mesmo inconscientemente. O efeito produzido pode intensificar-se desde que ele tenha consciência dessa força e a aplique metodicamente na cura de seus semelhantes. Estas considerações constituem a base e o fundamento da prática do chamado magnetismo animal. Os magnetizadoes são seres dotados de maior poder de transmitir esse tipo de prâna aos que dele carecem. O caso inverso é o daquelas pessoas que, por qualquer motivo, têm deficiência de prâna. Elas agem sobre as outras, mesmo inconscientemente, como verdadeiras esponjas, aspirando-lhes a vitalidade. Este fenômeno explica a sensação de esgotamento sentida na vizinhança de certos indivíduos, principalmente doentes. Os médiuns, tirando de si grande parte do prâna para a realização dos fenômenos espiritistas, tentam reequilibrar-se, mesmo inconscientemente, absorvendo o prâna dos presentes. Daí realizarem-se tais fenômenos em sessões coletivas, principalmente quando as pessoas dão-se as mãos. Há, finalmente, os nossos familiares macumbeiros, autênticos magos negros, com os quais só há prejuízos em manter contato, porque absorvem dos que se encontram ao seu lado não só o prâna físico, mas as demais modalidades de energia para a realização dos fenômenos de baixo psiquismo ou animismo, erroneamente chamados de fenômenos espíritas, pois não se referem ao espírito, mas à alma, e sobretudo à sua parte animal (ânima), isto é, ao que ela tem de mais primitivo.
Há uma maneira muito simples de se proteger o estudante de ocultismo contra esses vampiros. Basta, para que seu corpo fique fechado, que cruze os braços ou as pernas. Em certas ocasiões, numa longa viagem de trem ou ônibus, numa visita a um hospital ou noutras circunstâncias em que se sente estar o prâna sendo absorvido, bastará que se cruzem as mãos, os braços ou as pernas e ficaremos livres de qualquer vampiro, consciente (magos negros) ou inconsciente (invejosos).
Principalmente pelas mãos é que se dá a maior evasão de prâna, razão por que o cumprimento de se dar as mãos é grandemente prejudicial, sem contar o aspecto físico indiscriminado, tão condenável do ponto de vista higiênico. Ao contrário, quando o organismo está apto a servir de meio ao fornecimento de vida a outros seres que dela carecem, é através das mãos que se realiza a prática do magnetismo.
O chakra raiz ou mulâdhâra se acha localizado na base da coluna vertebral e tem por função fornecer aos órgãos genitais a energia sexual e ao sangue, o calor corporal. O mulâdhâra é ainda a sede da misteriosa força chamada kundalini, da qual trataremos mais adiante.
As duas correntes prânicas vindas do chakra esplênico transformam-se em três ao penetrar o mulâdhâra. Este se acha, portanto, animado por três correntes: vermelha, alaranjada e púrpura-escura; esta última deriva-se da corrente violeta que se destina ao chakra laríngeo.
A recusa constante em ceder à natureza inferior pode levar o homem a desviar as correntes destinadas aos órgãos genitais, dirigindo-as para o cérebro, onde seus elementos serão profundamente modificaddos. A corrente alaranjada se transformará em amarelo-brilhante, passando a ativar as forças intelectuais; o vermelho-escuro torna-se carmesim e reforça a afeição desinteressada e altruísta; finalmente, o púrpura-escuro transmuda-se em violeta-pálido, ativando a espiritualidade.
A transmutação dessas forças livra o homem dos desejos sexuais e evita-lhe os grandes perigos a que está sujeito quando se torna necessário a despertar o kundalini, cuja sede, como já dissemos, é o chakra raiz. Quando a sublimação é definitiva, o raio alaranjado eleva-se diretamente do esplênico ao cérebro sem passar pelo chakra raiz, seguindo através dos nâdi da coluna vertebral.
A sublimação dessas energias só se fazem com proveito quando o homem está suficientemente senhor do poder de manejá-las. Não se trata de anular uma função natural, mas de saber canalizar, pelo poder da vontade, as correntes prânicas do chakra raiz destinadas primariamente às funções procriadoras, quando disso houver necessidade, para auxiliar aquelas que nos mundos superiores têm idênticas funções. Trata-se de "transformar energia procriadora em energia criadora".
O problema do sexo é crucial para o discípulo e a sua importância é em geral subestimada por todas as correntes de idéias, donde resulta o recalcamento em que se debate a maioria dos seres. Esse problema é tão importante como complexo e o seu estudo integral não pode ser feito senão numa longa série de capítulos. As suas raízes repousam em época remotíssima. Diz a cronologia oculta que o sexo no homem surgiu há mais de dezoito milhões de anos, nos meados da terceira raça-mãe (lemuriana*). Mas o problema do sexo, para ser bem esclarecido, não pode limitar-se ao homem, porque diz respeito a todas as coisas criadas do Universo. Onde há criação, existe o poder criativo, que é o sexo em todas as suas gradações. E, em última análise, é a grande polaridade cósmica que os pitagóricos expressavam pelo número dois.
*Lemuriana: primeira raça humana com corpo físico existente na face da terra. Habitavam a região do Oceano Pacífico em terras conhecidas como Continente Lemúria, ou Terra de Mu há mais de 20 milhões de anos atrás.
O chakra umbilical ou manipûra, cujo aspecto e localização já estudamos em conjunto com os demais, é essencialmente o centro da força de ligação entre a consciência física e astral.
O perfeito funcionamento deste chakra permite ao homem tornar-se sensível às influências astrais. O corpo físico passa a sentir as simpatias e hostilidades do mundo ambiente. Percebe ou tem consciência do caráter agradável ou desagradável de certos lugares, sem que, no entanto, seja capaz de compreender a razão disso. Os fenômenos do mundo astral são revelados à consciência física através deste centro, sem que a mente identifique sua origem ou razão. O chakra umbilical fornece, pois, ao homem as faculdades de sentir os fenômenos que se passam no mundo astral. A maioria dos fenômenos que as pessoas intuitivas observam é devida ao grau de desenvolvimento do manipûra. Há nas crônicas dos acontecimentos ditos sobrenaturais uma infinidade de histórias interessantíssimas que se explicam através das faculdades que este chakra desenvolve, principalmente aqueles que dizem respeito à visões de acontecimentos que se passaram em lugares e épocas distantes. Isso porque, no plano astral, sendo tempo e espaço coisas inteiramente diferentes daquilo que concebemos no plano físico, os fenômenos de previsão de acontecimentos e de visões de fatos pretéritos são perfeitamente naturais e normais. A questão é ter o manipûra bem desenvolvido, para que esses fenômenos possam se revelar à consciência de vigília.
O chakra cardíaco, ou anahâta, cujo aspecto é o de uma flor de doze pétalas brilhantemente coloridas, tem certa semelhança com o chakra umbilical, no que se refere às faculdades que desenvolve. As faculdades que o chakra cardíaco desperta também se relacionam com o plano astral, porém, não com a sua fenomenologia vulgar e sim com as mais elevadas faculdades desse plano, que se ligam com as correspondentes faculdades do espírito. O desejo, expresso no plano astral, relaciona-se com o aspecto Vontade do Eu. E o anahâta desenvolve esse aspecto, que é plano e inseparável dos mais elevados sentimentos espirituais. Este é o chakra que, desenvolvido, caracteriza o Adepto* perfeito. Com isto já pode-se deduzir que o desenvolvimento somente do chakra umbilical pode levar o discípulo ao caminho da magia negra, que é para onde conduz a ambição de poder da fenomenologia astral, ou seja, os fenômenos psíquicos e metapsíquicos, enquanto que o desenvolvimento do anahâta o levará infalivelmente para o caminho do adeptado.
*Adepto: indivíduo que finaliza a iniciação, tornando-se, no senso comum, o que chamamos de iluminado.
É, pois, o chakra cardíaco a sede dos elevados sentimentos espirituais, tais como amor desinteressado e nobre, fraternidade, simpatia pelas dores e alegrias alheias, altruísmo, sacrifício, entre outros. É importante este chakra para a evolução espiritual do discípulo que sobre ele se dá nas escolas iniciáticas um exercício especial, depois de um largo período de prática de ioga dos chakras.
A cor do chakra laríngeo ou vishuda provém das correntes do chakra esplênico, que tem as cores azul e violeta e que se transformam em azul-claras e azul-escuras. A corrente azul-escura atravessa e vivifica o chakra, bem como toda a região da garganta. A força e elasticidade das cordas vocais, num cantor ou num orador, devem-se à atividade desse raio.
A vitalidade emanada do raio azul-escuro se derrama pelas regiões inferiores e centrais do cérebro, estimulando, juntamente com uma parte do amarelo vindo do chakra cardíaco, o pensamento ordinário. À deficiência destas correntes se devem certas formas de idiotismo. O raio violeta inunda as partes superiores do cérebro e tem por função despertar no homem os pensamentos e emoções de natureza elevada. É ainda o raio violeta que comunica um vigor especial ao chakra coronal.
O chakra frontal ou ãjñâ acha-se entre as sobrancelhas e te 96 pétalas coloridas, metade rosa e metade violeta, o que lhe dá a aparência de se achar dividido em duas partes. Isto conduziu certos videntes a julgar que este chakra possui apenas duas pétalas.
Não há ainda certeza sobre a origem das correntes que vivificam esse centro de força, embora se possa acreditar que elas derivem das correntes que saem do chakra laríngeo para a parte externa, que compreende 960 pétalas, enquanto a região central é vivificada pela corrente amarela vinda do cardíaco.
(J.H.S. - A Natureza Secreta do Homem, Editora SBE)







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