Olá, meus queridos! Tudo bem com vocês?
Ah, estamos chegando no Natal! Como eu adoro esta época! Me faz lembrar de quando eu era pequeno e ficava esperneando para a minha doce mãe comprar um cinto do Kamen Raider Black da Glaslite no Mappin. Talvez este seja um trauma de infância que carrego: todos os Natais que passei, papai Noel nunca me dava o que eu pedia. Aí eu pedia pra minha mãe e ela também não dava. E assim eu apelava pro meu pai que também negava. Terminava por espernear no Mappin.
Mas esse papo de final de ano começou porque eu quero lhes contar o que acontece lá no trabalho. Há uma festa de confraternização com os funcionários. Fomos todos a um barzinho do bairro chamado "Chill Bill da Morena". Começamos então a beber algeres e contentes, brincando e dando muita risada da profissão que exercemos. Jogamos sinuca, truco, bebemos tequila, caipirinha, caipiroska. Foi quando em um determinado momento, um sujeito chegou pra mim e disse, com a voz pesada de bêbado:
-- Eu comi a sua mãe!!
Sagaz, tranquilo e confiante, eu pedi:
-- Por favor, me dê licença! Estou aqui com os meus amigos e não quero atrapalhar.
-- Cala boca seu fedelho!! Eu acertei sua mãe direitinho!! Peguei ela de jeito! -- repetiu o sujeito.
-- Meu, na boa, estou aqui sossegado e não quero que você atrapalhe minha saideira com os amigos!
-- Ah se fudê, rapá! Eu comi tua mãe e você num vai fazer nada, seu frouxo!!
Foi nesse momento que eu perdi a calma. Dei um tapa na mesa, segurei o cara pelo braço e disse:
-- Dá licença, pessoal! Tenho que levar meu pai pra casa! Ele já bebeu demais por hoje!
Mas, ao contrário do que eu esperava, o pessoal disse:
-- Hey Cente! Deixa seu pai aqui!
-- É, chama o camarada pra gente tomar umas aqui com ele!
Mesmo sabendo que isso ia dar merda, resolvi fazer o que eles pediram. Afinal de contas, éramos todos homens adultos e nada poderia dar errado. E por quê daria?
Estava tudo indo muito bem, rimos mais ainda, meu pai falava certas coisas que particularmente me deixava envergonhado (afinal ninguém quer saber como seu pai e sua mãe te fizeram), mas estava tranquilo. Até a hora em que meu pai se levantou, andou cambaleando até o bartender e disse a ele:
-- Eu quero uma aposta!!
O bartender olhou pra ele, meio desconfiado.
-- O senhor já bebeu além da conta. Precisa ir pra casa!
-- Não saio daqui até vencer uma aposta contigo, homem!
O bartender deve ter achado que ganhar uma aposta de um bêbado no estado do porco (lembrando dos estados da embriaguez descritos mais abaixo) era fácil. Resolveu aceitar:
-- Muito bem, o que temos?
-- Eu apozzzto zem real com vozê que vozê num conzegue mijá neze copo que vou deijar no jão!!
Meu pai tirou um copo americano do bolso. O bartender deu um sorriso e abriu a braguilha. Meu pai, com certa dificuldade, colocou o copo no chão. Em poucos segundos, o bartender encheu o copo sem muitas dificuldades. Deu um sorriso e pegou os cem reais do meu pai. Vendo que o velho tinha mais dinheiro, o bartender apostou:
-- Eu dobro a aposta e pago bônus de 3 dias no open bar se VOCÊ conseguir mijar dentro desse copo. Se você não conseguir, me paga 200 reais. Se conseguir, te pago 250 e open bar por 3 dias.
E colocou o copo no chão. Meu pai apertou a mão do sujeito, abriu a braguilha e começou a mijar. Mijou no balcão, escorreu para as mesas, cadeiras, caiu no chão e escorreu até chegar no ralo, mas não acertou o copo. O bartender deu um sorriso grande e pegou os 200 reais do meu pai.
-- Essa foi moleza! Hey, por quê apostou comigo sabendo que ia perder 300 mangos? -- perguntou o bartender ao meu pai.
-- Tá vendo aquele pessoal ali? -- apontou o velho pra gente -- Então, eu apostei com eles 600 real que eu mijaria o bar inteiro enquanto você dava risada!
Tudo bem, fomos expulsos do bar. Mas foi uma noite muito divertida. Agora, relembrando os estados da embriaguez:
= ESTADO DO MACACO =
O sujeito bebe pra ficar alegre. É o que mais acontece nas baladas e saideiras. Sinceramente é o que eu faço! Bebo pra ficar alegre. Não é considerado "passar da conta" e por isso o Direito Penal pune crimes cometidos por esses caras.
= ESTADO DO LEÃO =
Esse aqui o cara bebe pra virar macho. Quer brigar com todo mundo. Briga e depois chora. Pra esse qualquer um é amigo dele. Algumas vezes o Direito Penal pune, mas outras vezes não pune. Pune quando quer brigar, mas não pune quando está chorando dizendo que é amigo de todos.
= ESTADO DO PORCO =
O cara nem sabe mais quem é ele. Deitar e ficar esparramado no chão é a melhor coisa que ele sabe fazer. Não fala direito, não tem sensibilidade e não lembra de nada que aconeteceu no dia seguinte. Assim estava meu pai. E não, o Direito Penal não pune esses caras de jeito nenhum, já que não sabem o que estavam fazendo. Mas interna. Isso é que é legal!
Depois de sairmos do bar, meu pai entrou no carro deu a partida. Imediatamente eu puxei o velho de dentro.
-- Cê tá louco?!? Não vai dirigir assim nem a pau!
-- Me larga! Eu quero ir! Quero iiiihhh....
Bom, nesse momento ele começou a dormir. Como fedia esse cara! Joguei-o no banco de trás, me despedi do pessoal e fui pra casa levá-lo embora.
No caminho, um policial me pára e pede a documentação. Depois que eu entreguei-lhe a CNH e os documentos do carro, ele olhou para dentro do carro e viu meu pai lá jogado no banco de trás.
-- Quem é o sujeito? -- perguntou pra mim.
-- Meu pai! -- respondi -- Ele está caindo de bêbado.
-- Arght! Pelo visto você também tá ruim hein! Que bafo desgraçado! Vou ter que autuar!
-- Não, pelamor de Deus, seu guarda! Num autua não!
-- Não tem como não fazer isso! Cê tá fedendo a álcool destilado!!
-- Não, senhor! Eu não estou fedendo a álcool destilado só não. Do outro lado também deve estar cheirando mal -- eu disse, sem ter a mínima noção do perigo.
-- Desce do carro! -- mandou o policial.
Na minha cabeça só passava apenas uma palavra: "FODEU!". Ele colocou minha cabeça no capô do carro e disse:
-- Você acha que eu gosto de ficar brincando com bêbados?
-- Foi só uma piada, chefia!
-- Piada é o caralho!! Piada é o caralho!! Vou te mostrar que cu de bêbado não tem dono, seu viado!
Nessa hora uma outra viatura chegou (pra me salvar (ou não)). Um outro policial saiu enquanto o outro dormia dentro da viatura.
-- O que tá havendo? -- perguntou para o Policial 01.
-- Eu peguei esse viado dirigindo embriagado! -- respondeu ao 02.
Sem mais nem menos, os dois começaram a me dar tapas. Eu não sei o que estava havendo, mas eu acho que eles gostam de bater em bêbados. Foi quando encostou um homem na gente:
-- Ei! Ei! Vocês estão batendo nele? -- perguntou o homem.
-- Sim, e daí? O que você vai fazer? -- perguntou o policial 02.
-- Vocês não podem fazer isso! Vocês são policiais! Estão batendo em um cidadão que não apresenta perigo algum!
-- Você tá louco? -- começou o 01 -- Tá querendo dizer o que a gente deve ou não fazer?
Os dois cercaram o homem e começaram a bater com força nele também. Sem forças, só fiquei observando a cena sem poder fazer mais nada.
-- E agora? -- disse o 01 dando um super-tapa na cara do homem -- E agora, o que você vai falar pra eu fazer, hein seu viado?!
-- Arght... Você... Vá tomar banho!!
Eles riram e socaram mais uma vez o homem. Dessa vez foi o 02 quem perguntou:
-- E agora? O que me manda fazer?
-- Você... Vá se fuder! Vá tomar no cu!
Socaram um pouco mais o cara até cair a carteira de documentos dele. O policial 01 pegou e olhou os documentos pra ver se já tinha passagem. Foi aí que ele tomou um grande susto:
-- Iiihh!! Puta que o pariu, fodeu, porra! Que merda, caralho!!
-- O que aconteceu? -- perguntou o 02, parando de bater no homem.
-- O cara é Supremo Marechal das Forças Militares e Civis do Estado de São Paulo!!!
-- PUTA MERDA!!! E agora, o que a gente vai fazer???
-- Você eu não sei, eu vou é tomar meu banho que ele mandou!
Depois de passar pela delegacia, prestar queixa e depois passar no hospital e ficar um tempo lá, voltei à ativa. Hoje estou bem, apesar de uma forte dor de cabeça e alguns olhos roxos.
E agora, como eu havia prometido, lá vai um trote atendido por mim:
ELEMENTO: Alô! Aí patrão, é melhor não me enrolar
*choro de alguém lá no fundo*
EU: Quem tá falando?
ELEMENTO: É o seguinte, truta! Nóis tamo com teu filho aqui e num vamo largá ele não hein! É melhor fazer o que eu tô mandando se num quiser que ele saia com os dedo rancado!
EU: Por favor, mantenha a calma! Não machuquem meu filho!
ELEMENTO: Truta, passa tua conta que eu to ligado que cê tem conta!
EU: Posso falar com meu filho?
ELEMENTO: Aí carai, to falando sério truta! Passa os esquema da tua conta senão esse féla da puta vai acordar com a boca cheia de furmiga!
EU: Cacete! Você fala mal demais! O senhor por acaso é corinthiano?
ELEMENTO: Sou flamenguista!
EU: Só podia ser dessa laia aí. Tudo igual! Deixa eu falar com meu filho, porra!
ELEMENTO: Se tu num passá a porra dos esquema eu mato ele!
*Aaahh! Mãaaae!!! Me ajuuda mãaaaae*
EU: Ele gritou "mãe"?
ELEMENTO: Hum...
EU: Que estranho, ele não tem mãe! Ele é adotado! Por um casal de gays! Ele tem dois pais.
ELEMENTO: !!!
EU: Deixa eu falar com ele agora?
ELEMENTO: Vai se foder, vou matar teu filho!
EU: Então mata a porra do meu filho, seu viado!!
ELEMENTO: Eu tô falando sério! Eu vô matá ele!
*Waaahh!! Pai, ele vai me matar!!*
EU: Pai?! Ele me chamou de pai?
ELEMENTO: Chamou.
EU: Mas ele num tem pai! Eu sou o tio dele! Ele é adotado!
ELEMENTO: Tu tá querendo me enrolar! Eu mato ele!
EU: Mata, faz esse favor pra mim! Mata que eu vou adorar! E depois que matar, que tal vir atrás de mim. Vem atrás de mim, mas bem gostoso!! Uh, delíiiiicia!!!
ELEMENTO: Fodeu, o cara é biba! É do esquema! Atividade! Atividade que os homi tão vindo pra cá! Atividade porra! Ati... *Click* tu, tu, tu, tu, tu...
Em uma operação que demorou 5 minutos, os dois meliantes foram presos em Copacabana, RJ.
Um beijo a todos vocês e até a próxima!!
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As Inestórias de Epiriquidiberto - Todas as quartas-feiras de noite, aqui no Castelo de Marfim e na Vida de um Universitário.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
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