
Andando pela Avenida Paulista, um homem, bem arrumado até, me pára e me conta a seguinte história:
Oi, boa tarde! Desculpe te incomodar, acredito que você esteja almoçando. Meu nome é Eduardo e estou aqui tentando juntar uma graninha pra poder comer alguma coisa. Eu estou com um grave problema na garganta adquirido em razão do vírus HIV que obtive em uma relação forçada quando estupraram minha mãe e eu. Já consegui 16 centavos. Você teria como me ajudar?
Bem, desculpe a expressão e a aparência de frieza quando falo que o cara estava mais do que desgraçado. Certo, eu não liguei muito para a história cabeluda que ele me contou - afinal de contas, de histórias cabeludas a Avenida Paulista está cheia. É difícil eu ajudar com dinheiro essas pessoas que pedem a minha ajuda. Prefiro aliar-me à lei do carma, aquela que diz que "se o cara é mendigo, é porque é pra ele ser mendigo". Em outras palavras, não é à toa que este homem está passando por dificuldades, independente se a cobrança seja física ou espiritual. Pois bem, respondi um "desculpa cara, estou sem dinheiro hoje". Ele me deu um soquinho amigável no ombro e baixou a cabeça. Fui embora.
Mas dessa vez, dessa vez eu fiquei pensando. Pensei na crueldade. Pensei na intolerância. Pensei no fato de um ser humano nem ouvir a história direito e já falar que não dá pra ajudar. Eu comecei a sentir uma vontade de ajudar aquele moço. Foi indescritível, mas senti. Talvez a troca de energias quando ele encostou no meu ombro. Talvez a compaixão mesmo que desceu naquela hora. Sei lá. Só sei que tive vontade de ajudar.
Dei meia volta e caminhei até aonde encontrei com ele. Eu estava decidido a ajudá-lo. Claro que não com dinheiro, mas sim pagando um almoço pra ele com o meu VR. Cheguei lá, procurei, procurei, procurei mas não o encontrei. Então eu voltei para o escritório e comentei o fato com uma colega. Ela me disse que não precisava se preocupar com isso, porque as pessoas que pedem ajuda, de um modo geral, não querem realmente comer. Elas na verdade querem dinheiro. Se quisessem realmente comer, desfrutaria da lei que permite que um pobre (juridicamente falando) ganhe um prato de comida de qualquer estabelecimento que comercialize este tipo de produto (restaurantes ou lanchonetes). Se ele se sentir mal por pedir comida no restaurante (e por isso opta por pedir dinheiro para os outros pra comer... vai entender!), ele tem as opções do governo de usar aquele restaurante de R$ 1,00. Enfim, passar fome ele não vai. O que realmente acontece é que na maioria das vezes as pessoas estão nessas condições porque simplesmente não querem sair dessas condições. Então inverti a linha de raciocínio criada por mim anteriormente: existe muita gente boa e abalável - principalmente aqui no Brasil - que ajuda essas pessoas que pedem. Por isso fica fácil. Eles não precisam trabalhar, eles não precisam estudar. Apenas vivem de esmolas, e vivem muito bem.
Resolvi então ir mais além. Fiz pesquisas, procurei em jornais e revistas. Fiz uma média entre as pequisas que encontrei e tirei o resultado de que um mendigo ganha em média R$ 450,00 por dia de esmolas. Talvez nem o próprio mendigo saiba que ele ganha mais do que muitos juízes por mês, um montante de R$ 13.500,00 (lembrando que mendigo pede esmolas em sábados, domingos e feriados). Ou seja, estão naquela situação porque querem.
Então, se te pedirem ajuda, analise muito bem a situação e a história que a pessoa vai bolar. E só ajude se você sentir que realmente deve fazer isso.







2 análises:
essa foi a história mais estúpida que já ouvi na vida. Dá onde você calculo que um mendigo ganha R$450,00 por mês? e o que ele faz com esse dinheiro todo? você inventou tudo isso pra poder negar esmola sem se sentir culpado?
Como eu disse antes, o meu cálculo se baseia em pesquisas de jornais e revistas (diferente de alguns, eu ainda pesquiso). E não, não é R$ 450,00 por mês, é POR DIA. Pode até parecer estúpido pra você, mas se você fosse ao Centro de São Paulo ver quantas pessoas circulam ali por dia, 450 reais ainda seria pouco.
A pesquisa foi tirada de uma matéria da apostila POSITIVO de 2001, que trazia uma série de informações de jornais e revistas sobre os valores e a frequencia de esmolas que eram dadas, se eu não me engano, em 1997. Talvez, de lá pra cá, as coisas tenham mudado e as pessoas têm dado menos esmolas.
Agora antes de dizer que eu ando "inventando" historinhas, pesquise. Eu nego esmola sim e não me sinto culpado. Por quê eu me sentiria?? Tenho certeza de que o mendigo é mendigo não por minha causa. Então por quê eu me sentiria culpado?
E sim, conheço um advogado que é um ex-menino de rua. Conheço também um metalúrgico nas mesmas condições. Eles, ao invés de gastarem o dinheiro com bebidas ou com outras coisas, juntaram pra conseguir ser e ter o que são e têm hoje.
Quer comer sem pagar? Quer beber sem pagar? Quer fumar sem pagar? Experimente mendigar. Se o mendigo quisesse mesmo comer, pediria ao restaurante. E não adianta dizer que não conhecem essa lei, porque ela é muito bem divulgada.
Postar um comentário