
ATENÇÃO: a história que eu vou contar, por mais que se pareça com um episódio das Inestórias de Epiriquidiberto, aconteceu realmente.
Bem, fui esta semana ao DEIC tirar cópia de uma Carta Precatória (coisas do serviço). Nossa, eu havia me esquecido a grande e inigualável sensação do centro de São Paulo. É, fiquei baqueado. Se o sujeito não prepara o espírito pra enfrentar a horrível paisagem do centro, a multidão de mendigos esfomeados por todos os seus pertences e pela aglomeração demasiada exagerada de pessoas que fazem de tudo, ele acaba surtando.
Enfim, cheguei eu lá e, baqueado do modo que eu estava, acabei perdendo a noção de sentido e direção. Então não me restou alternativa senão perguntar ao Guarda Municipal e ao PM que estavam ali na Praça da República como eu fazia pra chegar no DEIC. Até que foi fácil.
Chegando lá, olhei para o relógio. 16:15. Ótimo, fui falar com a moça que iria tirar a cópia da Carta Precatória pra mim. Era uma mísera cópia, sei lá. Acho que não demoraria tanto assim.
"Ah, tá, vou te atender. Só senta e espera ali naquele sofá, por gentileza". Tudo bem que aquilo não era sofá, eram várias cadeiras juntas, como na recepção de um hospital. Mas beleza.
Olhei para o relógio. 16:50. Fui ver o que estava acontecendo para o motivo da demora e das pessoas que chegaram depois de mim serem atendidas antes. Eu só queria uma cópia.
"Ah, sua Precatória, né? Já vou pegar, aguarda lá, por favor" foi o que eu ouvi mais umas 4 vezes antes de olhar pro relógio e me irritar com a marcação de 18:20. Quando deu esse horário, fui lá e, com a educação deixada um pouco de lado, pedi mais uma vez a Precatória maldita.
MULHER: Ah, tá, vou pegar. Me empresta sua carteirinha da OAB, por favor.
EU: Eu não tenho carteirinha da OAB.
MULHER: O senhor não é advogado?
EU: Não.
MULHER: Tem procuração aí pra representar o réu da precatória?
EU: Não.
MULHER: Ah, desculpe, então não vou poder tirar a cópia pra você.
EU: ... ... ...Bem, você não acha que com DEZ minutos você não teria conseguido me dizer isso? Fiquei aqui duas horas pra nada então?? Que legal!!
POLICIAL PARECENDO ARMÁRIO: Aí, abaixa a voz que você não tá em qualquer lugar aqui não, hein!
EU: Eu acho que ouvi minha mãe me chamando lá fora. Com licencinha!
E fui. Puto. Bravo. Puto. Mil pensamentos vingativos rodeavam minha cabeça. Saco. Podia ficar pior? Sim. A chuva! A grande chuva!
Ela estava muito forte. Por causa da força dela, não consegui chegar ao metrô, tive que ir de ônibus. Socado feito uma sardinha enlatada. Cara, que raiva! E naquele sufoco, vuco-vuco, reco-reco, ainda ouvi a mina da minha frente "Vai continuar encoxando mesmo?". Ah, não! Quando a gente está puto, bravo, puto, não existem papas na língua. Então eu disse: "Encoxar o quê nessa bunda magra? Vai achar seu ferro, tábua de passar!". Aquela loira oxigenada ficou com vergonha, mas não pude fazer nada. Será que ela não estava percebendo a situação de nós ali dentro? Cazzo!
Cheguei no escritório às 19:10. De lá pra casa, já tinha perdido a primeira aula mesmo. Chuva, busão bombando e muito trânsito. Cheguei em casa só 21:40. São Paulo é foda!







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