sábado, 27 de setembro de 2008

Solução: O Caso do Desaparecimento do 01 (um)

Muito bem, depois de muito pensar, o grupo de profissionais do Direito, que mais detestam números, chegaram enfim a uma solução para este caso.

O segredo está no fato de dizer que os garotos gastaram 9 reais cada e além disso deram 2 reais para o garçom. Isto não é verdade. Por mais ilógico que seja, não é verdade. Isto porque se eles tivessem gastado 9 reais cada, a conta daria 27 reais, sobrando 3, que seria o dinheiro que eles dividiram entre si. Destes 27 reais já estão incluídos os 2 da gorjeta, uma vez que a conta deu 25 reais. Compreenderam?

Sabendo disso, é só somar os valores corretamente:

25 reais do total da conta
02 reais da gorjeta do garçom
03 reais que sobraram, que foram igualmente divididos entre os 3 amigos
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30 reais a conta total.

E está resolvido o caso do desaparecimento do 1.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O Caso do Desaparecimento do 01 (um)

Três estudantes de Direito e uma advogada se reuniram em uma tarde de quinta-feira na hora do almoço para tentar fazer o que um profissional da área menos sabe fazer: brincar com números. Bem, estivemos nós envolvidos com a fabulosa trama do "Caso do Desaparecimento do 1", conhecido por ser uma possível falha da grandiosa e acima de tudo exata matemática. Bem, como advogados de defesa da pobre e inocente Matemática, pasmem, CONSEGUIMOS solucionar o caso. Sim, ele tem solução. Mas só conto amanhã, hehehehe...

O caso é o seguinte:

Três amigos foram um dia comer em uma lanchonete. Depois de pedirem tudo o que queriam, pediram a conta. O garçom veio com a comanda, totalizando o valor de R$ 30,00. Cada um dos três amigos deu uma nota de 10 reais para o pagamento.
Ao chegar no caixa, que era o dono da lanchonete, este constatou que os garotos eram gente boa e que sempre estavam por ali. Resolveu então fechar a conta deles por R$ 25,00.
O garçom então voltou com cinco notas de R$ 1,00 (um real) para dividir entre os três. Deu uma nota pra cada um e ficou com duas notas de gorjeta. Temos os casos:

I - Se cada um pagou R$ 10,00 e recebeu R$ 1,00 de troco, logo cada um pagou R$ 9,00
II - Se são três amigos que gastaram R$ 9,00, então 3x9 = 27 reais.
III - O garçom ganhou R$ 2,00 de gorjeta
IV - Somando todos os valores, sendo eles o valor total gasto pelos amigos e o valor da gorjeta, teremos: 27+2=29.

Pergunta: Aonde está o 1 faltante para a conta fechar com 30?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Formas Variantes da Língua Portuguesa

Olá, alunos.

Não, hoje não vim dar uma aula. Vim comentrar sobre um comentário que fizeram sobre uma das minhas aulas. Encontra-se logo abaixo. Vou deixar que leiam antes de eu começar a esculachar de vez.

Desprezível Sr. Custódio.
Você é um babaca, do pior tipo, aquele que se acha o maioral, que grita aos quatro ventos "EU NÃO ERRO!!", que já entra solando e pré-julgando os "antas" e "cabeções" que perdem tempo lendo uma merda dessas. Tudo bem que você conheça de Gramática, garantidamente bem mais do que eu, mas não pode ficar gritando que não erra! Todos erram, até você, quer ver? Lá na parte onde você discorre sobre verbos e diz que são "conjulgados" assim ou assado... ERROU BOBÃO!!! É "conjugar", pode olhar no mestre Aurélio. Isso tudo foi só pra te alertar. Não deixa o rabo no caminho que alguém pode pisar nele!
E vou terminar como você: não gostou? Me processa!


Começando pelo final: QUANTAS VEZES EU JÁ DISSE QUE PRONOME OBLÍQUO NÃO INICIA ORAÇÃO?!?! Cacete, é PROCESSE-ME!!! Me, mim, comigo, te, ti, contigo, lhe, etc, JAMAIS iniciará orações. E tenho dito.

Agora, vamos começar pelo início, como normalmente se faz. "Desprezível Sr Custódio (...)" Bem, não achou que com esse meu jeito eu seria prezível, achou? Então, quando for me xingar, chame-me de "Querido", por favor.

"(...) perdem tempo lendo uma merda dessas.". Primeiro que nunca é tempo perdido quando se lê alguma coisa, principalmente quando essa coisa é uma aula de Português, por mais esculachada que seja. E atire a pedra se eu estiver errado: qualquer pessoa aprende mais e melhor quando o jeito de ensinar é escrachado. Mas tudo bem, pode ir lá ter aula com os anciãos (ou anciões, como quiser) que transformam a aula de Português em um sonífero da melhor marca.

"Tudo bem que você conheça de Gramática, garantidamente bem mais do que eu, mas não pode ficar gritando que não erra!" Cabe aqui o famoso "para bom entendedor, meia palavra basta". É claro que conheço muito mais de Gramática do que você, reles. Afinal, não coloco o pronome oblíquo no início da frase. E depois, no meu "eu não erro nunca", usei uma figura de linguagem chamada IRONIA. Pesquise pra saber melhor dela.

"Lá na parte onde você discorre sobre verbos e diz que são 'conjulgados' assim ou assado... ERROU BOBÃO!!! É 'conjugar', pode olhar no mestre Aurélio. Isso tudo foi só pra te alertar." Bem, fico realmente feliz que tenha tido o interesse de perguntar a alguém ou mesmo de ir correndo procurar no dicionário como se escreve. Mas realmente não entendi o que você quis me alertar. Sim, porque se você foi procurar no Aurélio, deveria procurar outras palavras do tipo FRECHA ou LAJEM, ou mesmo MAQUILAGEM ou ENFARTE. Sim, meu caro, todas essas palavras, incluindo o CONJULGAR estão corretas. Chamam-se de "Formas Variantes da Língua Portuguesa". Ah, você não pesquisou?? SEU BOBÃO!!! Vou quebrar o seu galho e listar aqui os mais interessantes. Cinqüenta está bom, né?

1) abdômen ou abdome
2) afeminado ou efeminado
3) aluguel ou aluguer
4) amídala ou amígdala
5) antes de ontem ou anteontem
6) aritmética ou arimética
7) arrebentar ou rebentar
8) arrebitar ou rebitar
9) assoalho ou soalho
10) assobiar ou assoviar
11) assoprar ou soprar
12) azaléia ou azálea
13) bêbado ou bêbedo
14) biscoito ou biscouto
15) cãibra ou câimbra
16) catorze ou quatorze
17) chipanzé ou chimpanzé
18) cociente ou quociente
19) coisa ou cousa
20) cumular ou acumular
21) conjugar ou conjulgar
22) debulhar ou desbulhar
23) degelar ou desgelar
24) dependurar ou pendurar
25) empanturrar ou empaturrar
26) entoação ou entonação
27) estralar ou estalar
28) flauta ou frauta
29) flecha ou frecha
30) fleuma ou flegma
31) geringonça ou gerigonça
32) hemorróida ou hemorróide
33) hidrelétrico ou hidroelétrico
34) imundície ou imundícia
35) infarto ou enfarte
36) laje ou lajem
37) loiro ou louro
38) maquiagem ou maquilagem
39) marimbondo ou maribondo
40) nenê ou neném
41) parêntese ou parêntesis
42) percentagem ou porcentagem
43) projétil ou projetil
44) radioatividade ou radiatividade
45) surrupiar ou surripiar
46) tesoura ou tesoira
47) toicinho ou toucinho
48) tramela ou taramela
49) trilhão ou trilião
50) voleibol ou volibol

Agora eu quem digo: não deixe o rabo no meio do caminho, pois alguém poderá COMÊ-LO.
Não se sinta mal. Todo mundo erra. Inclusive eu.

Um grande abraço. Vejo-te.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

[O Apadrinhado] Prólogo

– Miguel? Que lindo nome! É o nome do Arcanjo que derrotou Lúcifer, sabia? – perguntou a gorda e simpática senhora do hospital.
– Lúcifer... – sussurrou Miguel.
O garoto ainda estava atordoado em seu quarto de hospital. A enfermeira, depois de aplicar o antibiótico no mesmo tubo em que Miguel recebia o soro, sacudiu uma ampola e disse:
– Beba este aqui com água depois da janta. Daqui a pouco o médico virá colher o líquor da sua espinha pra ver se já poderá receber alta.
– Tudo bem –, respondeu Miguel.
– Há quanto tempo está aqui? – perguntou a enfermeira.
– Hoje faz treze dias.
– Já, já estará saindo daqui. Meningite é realmente uma doença forte. A sua sorte é que não foi das piores.
– Não é meningite.
E mais uma vez o garoto era ouvido como delirante. Apesar de responder com respostas “atravessadas” e curtas, ele é uma boa pessoa. Mas de uns tempos pra cá ele parecia um tanto quanto agitado, transtornado. Ele, apesar de parecer comum, tinha algo de diferente. Tinha algo que raríssimas pessoas têm. Não se pode chamar de problema, uma vez que isso era um privilégio. Também não se podia chamar de privilégio, porque isso era um problema. Todos que o conheciam, naquela hora, já sabiam que ele não estava ali naquele hospital por conta da meningite. Essa “coisa” diferente que ele tinha, uma vez segredo absoluto, já era de conhecimento de todos agora, conseqüência do afastamento dos amigos, das garotas, e até de sua família. Antes de estar ali, ele tinha um emprego. Antes de estar ali, ele fazia faculdade. Mas tudo o que sobrou pra ele, depois de anos escondendo e anos convivendo com isso, era apenas aquele quarto de hospital. Sem visitas. Sem telefonemas. Apenas o quarto de hospital.
Pelo menos algo estava completo para Miguel: a vingança. A deliciosa, saborosa e destrutiva vingança. Inimigos que não se contavam. Inimigos capitais. Inimigos conhecidos. Inimigos desconhecidos. Estavam todos derrotados naquele momento. Miguel vencera todas as guerras que havia tido. Vencera todos os seus inimigos, inclusive ele mesmo.

Já estava de noite e ele estava assistindo a mais um capítulo de alguma novela que passava todos os dias na televisão. Foi quando a moça do jantar entrou no quarto com a comida. Cheirava bem. Apesar disso, não abriu o apetite de Miguel.
– Não vai comer? – perguntou a moça que lhe trouxe o jantar.
– Não.
– Não está com fome?
– Estou.
– Então por que não come?
– Não gosto do gosto do remédio que terei que tomar depois que eu comer – respondeu o garoto.
Era mentira. Ele estava mesmo sem fome. Tudo o que aconteceu com ele nos últimos 2 anos não saíam da cabeça dele. Há 2 anos ele recentemente tinha 18 anos de idade. Carro, balada, faculdade, liberdade.
Foi então que finalmente apareceu uma visita.
– Com licença, meu filho! – pediu um velho homem.
– Entra. Senta aí, padre.
O velho homem puxou uma poltrona que havia ali por perto e sentou-se. Tirou o chapéu e colocou em cima do frigobar. Pigarreou e disse:
– Como se sente, meu filho?
– Sem um pedaço de mim, padre.
– Esse pedaço... você se refere... a ele?
– Não. À minha vida, se é que já tive uma.
– Sim, meu filho, você já teve. Antes de ele aparecer, você tinha.
– Huh, você não me conheceu, padre. Você nunca me conheceu. Vivi com isso desde que nasci. Ele apenas explodiu.
– Conheço vários casos. Sei que não é verdade. Isso só acontece quando você passa pra segunda fase da sua vida. Isso só acontece quando se completa 14 anos de idade.
– Não, padre. Comigo foi desde o nascimento.
– Desde o nascimento?
– Você quer saber como foi, padre? Quer saber como eu era antes de você me conhecer?
– Seria fascinante!
Miguel virou para o lado, desligou a TV e sentou-se em sua cama.
– Padre, por que veio me visitar? Por que logo você? Digo, nem o meu próprio pai veio me ver desde que entrei aqui!
– Foi assim com Jesus Cristo também, meu filho. Acredito que se sua mãe ainda estivesse viva, ela estaria aqui conosco. Assim como Jesus, você está abandonado. Por mais que você tenha salvado as pessoas, por mais que você tenha usado aquele mal que você tinha pra fazer o bem delas, elas no final acabaram te abandonando. Mas nem por isso você virará suas costas pra elas. Dê o seu sacrifício e seja reconhecido pelo Santíssimo.
– Padre, eu não sou Jesus. Não consigo fazer isso. As pessoas me deixaram por simples medo? Eu não consigo entender.
– Eu vim te visitar. Isso não significa que não tenho medo.
– Padre, foi você quem o tirou de mim. Foi você quem tirou o Loki de mim.
– Falar o nome dele não seria muito apropriado, não acha?
– Ele não volta mais. Não mesmo.
– Você disse que ia contar como era a sua vida. Comece!
Miguel arrastou a bandeja de comida até ele e começou a comer. Depois de engolir a primeira garfada, começou:
– Vou demorar muito pra contar tudo desde o início. Mas vou começar do básico: você, mais do que ninguém, sabe que as coisas aparecerão pra você apenas se você acreditar. Se você pára de acreditar que elas existem, elas simplesmente somem. No caso de demônios, eles só vão aparecer praqueles que acreditam que eles estão ali. No início eu tentei colocar na minha cabeça que eles não existem. Por mais que eu ouvisse e os visse, eu tentava acreditar que eles não existiam. Mas eu não conseguia. Loki, desde quando eu tinha 3 anos de idade, falava comigo. Ele me induzia, ele me distraía, ele conversava comigo. Ele me protegia, ele me ajudava. Loki era meu amigo, padre. Até os 12 anos, quando ele simplesmente desapareceu.
“Quando eu era criança, ele me dava conselhos. Ele falava o que eu devia fazer, ele me soprava respostas na prova, ele brincava comigo. Mesmo todos achando que eu tinha só um ‘amigo imaginário’. Eu fui crescendo e ele foi me dando mais dicas. Falava como eu tinha que fazer pra conseguir beijar as menininhas da minha idade, falava o que eu tinha que fazer pra conseguir sair escondido da minha mãe pros lugares que ela não deixava eu ir, falava até pra eu não desobedecer a minha mãe em certas ocasiões.
Minha mãe. Talvez ele tivesse uma ligação com ela. Talvez não. O senhor não chegou a conhecer a minha mãe, padre. Ela era uma pessoa muito religiosa. Ela era a melhor mulher do mundo. Pra ela tudo tinha jeito. Pra ela tudo estava bem. Por mais triste ou negativo que fosse, minha mãe conseguia sempre mudar a situação, inverter o jogo. Talvez ela fosse tão boa que Deus a quis mais perto. Quando eu tinha 12 anos ela foi seqüestrada, padre. Dois homens em uma moto roubada desceram, agarraram minha mãe e levaram pra longe. Dois homens sem capacete. Dois homens cujos rostos eu jamais esqueceria. Tiraram a minha mãe de mim. Ali na rua só ficou eu e meu pai, estáticos, imóveis, não acreditando no que estava acontecendo.
Esperamos a ligação deles, mas em uma semana não recebemos nada. E nessa uma semana, quando eu mais precisei do apoio do até então meu amigo Loki, ele desapareceu. Foi então que as buscas pela polícia começaram, e depois de mais 5 dias de angústia, foi encontrado um cativeiro com o corpo de 6 mulheres nuas, ao lado de seis facões pintados com 6 cores diferentes. E um daqueles corpos violentamente abatidos, destruídos, estuprados... um daqueles seis corpos, padre, era da minha mãe. Da minha heroína. Da mulher que resolveu dar sua vida a envolver-nos no que estavam fazendo ali. Ela e mais cinco mulheres. Outras 3 se apresentaram mais tarde dizendo que elas também haviam sido seqüestradas, mas ligaram pra família, que pagou o resgate e foi chacinada logo em seguida, restando apenas a mulher. Minha mãe sabia que isso ia acontecer. Por isso que ela e mais cinco mulheres se negaram a fazer isso...”
O padre estava chocado do modo em que Miguel havia perdido sua mãe. E mais chocado pela frieza em que ele lhe contava tal acontecimento, sem lágrimas nos olhos, sem olhares distantes. Contava como se fosse um acontecimento comum.
– Vou ficar aqui com você, meu filho. Vi que você tem muita história pra contar e muita coisa pra desabafar. Fique tranqüilo, eu lhe farei companhia até conseguir sua alta. Enquanto isso, vamos conversar. Conte-me cada detalhe de sua vida tendo um demônio como padrinho seu.
Miguel levantou-se, encostou a bandeja perto da porta e tocou a campainha.
– Padre, eu agradeço. Você, o único que se apresentou e conseguiu me exorcizar... Apresentou-se inicialmente como inimigo, mas agora é o meu único amigo... Muito bem, fale para a enfermeira que você será o meu acompanhante. Hoje eu vou contar do primeiro dia em que Loki voltou à minha vida...

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Esta é uma obra que inicialmente eu ia tentar publicar em um livro. Mas resolvi colocar aqui no Castelo de Marfim. Quero saber a opinião de vocês sobre todos os capítulos que tentarei colocar aqui com a maior freqüência possível.

"O Apadrinhado" conta a história de um jovem garoto que desde criança mantinha relações de amizade com um demônio. Com a morte da mãe do garoto, o demônio ausentou-se por um tempo, para depois retornar e voltar a ser seu amigo (ou não).
Muitas histórias, acontecimentos, relacionamentos e distúrbios foram encontrados por Miguel durante os último 2 anos, que foram os mais marcantes de sua vida (se é que ele já teve uma).

Ariel Salgado Nascimento.