
ATENÇÃO: a história que eu vou contar, por mais que se pareça com um episódio das Inestórias de Epiriquidiberto, aconteceu realmente.
Bem, fui esta semana ao DEIC tirar cópia de uma Carta Precatória (coisas do serviço). Nossa, eu havia me esquecido a grande e inigualável sensação do centro de São Paulo. É, fiquei baqueado. Se o sujeito não prepara o espírito pra enfrentar a horrível paisagem do centro, a multidão de mendigos esfomeados por todos os seus pertences e pela aglomeração demasiada exagerada de pessoas que fazem de tudo, ele acaba surtando.
Enfim, cheguei eu lá e, baqueado do modo que eu estava, acabei perdendo a noção de sentido e direção. Então não me restou alternativa senão perguntar ao Guarda Municipal e ao PM que estavam ali na Praça da República como eu fazia pra chegar no DEIC. Até que foi fácil.
Chegando lá, olhei para o relógio. 16:15. Ótimo, fui falar com a moça que iria tirar a cópia da Carta Precatória pra mim. Era uma mísera cópia, sei lá. Acho que não demoraria tanto assim.
"Ah, tá, vou te atender. Só senta e espera ali naquele sofá, por gentileza". Tudo bem que aquilo não era sofá, eram várias cadeiras juntas, como na recepção de um hospital. Mas beleza.
Olhei para o relógio. 16:50. Fui ver o que estava acontecendo para o motivo da demora e das pessoas que chegaram depois de mim serem atendidas antes. Eu só queria uma cópia.
"Ah, sua Precatória, né? Já vou pegar, aguarda lá, por favor" foi o que eu ouvi mais umas 4 vezes antes de olhar pro relógio e me irritar com a marcação de 18:20. Quando deu esse horário, fui lá e, com a educação deixada um pouco de lado, pedi mais uma vez a Precatória maldita.
MULHER: Ah, tá, vou pegar. Me empresta sua carteirinha da OAB, por favor.
EU: Eu não tenho carteirinha da OAB.
MULHER: O senhor não é advogado?
EU: Não.
MULHER: Tem procuração aí pra representar o réu da precatória?
EU: Não.
MULHER: Ah, desculpe, então não vou poder tirar a cópia pra você.
EU: ... ... ...Bem, você não acha que com DEZ minutos você não teria conseguido me dizer isso? Fiquei aqui duas horas pra nada então?? Que legal!!
POLICIAL PARECENDO ARMÁRIO: Aí, abaixa a voz que você não tá em qualquer lugar aqui não, hein!
EU: Eu acho que ouvi minha mãe me chamando lá fora. Com licencinha!
E fui. Puto. Bravo. Puto. Mil pensamentos vingativos rodeavam minha cabeça. Saco. Podia ficar pior? Sim. A chuva! A grande chuva!
Ela estava muito forte. Por causa da força dela, não consegui chegar ao metrô, tive que ir de ônibus. Socado feito uma sardinha enlatada. Cara, que raiva! E naquele sufoco, vuco-vuco, reco-reco, ainda ouvi a mina da minha frente "Vai continuar encoxando mesmo?". Ah, não! Quando a gente está puto, bravo, puto, não existem papas na língua. Então eu disse: "Encoxar o quê nessa bunda magra? Vai achar seu ferro, tábua de passar!". Aquela loira oxigenada ficou com vergonha, mas não pude fazer nada. Será que ela não estava percebendo a situação de nós ali dentro? Cazzo!
Cheguei no escritório às 19:10. De lá pra casa, já tinha perdido a primeira aula mesmo. Chuva, busão bombando e muito trânsito. Cheguei em casa só 21:40. São Paulo é foda!
domingo, 23 de novembro de 2008
Uma tarde no DEIC
Blogado por Ariel S. Nascimento às 00:49 0 análises Links para esta postagem
Relações: Prosopopéia do Cotidiano
Click!
Alguém já assistiu ao filme "Click!"? Pois é, esta é a versão daquele controle, só que ao invés de usar no tempo, usa nas mulheres.
Apenas uma palavra: PERFEITO!
Blogado por Ariel S. Nascimento às 00:36 1 análises Links para esta postagem
Relações: Bobagens
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Ouro de Tolo - Tente outra vez
Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...
Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...
Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...
Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...
Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...
Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...
Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...
É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...
E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...
Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...
Ah!
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...
Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...
Abra o olho, levante e sacuda a poeira. Por mais que você tenha tudo, você ainda não tem nada. O mundo é grande e o universo é infinito. Como um ouro de tolo, essas riquezas são apenas exteriores, pois o verdadeiro valor não existe em seu interior. Conquiste! Conquiste para conseguir a vitória e o valor merecido. Você é capaz.
Veja!
Não diga que a canção
Está perdida
Tenha em fé em Deus
Tenha fé na vida
Tente outra vez!...
Beba! (Beba!)
Pois a água viva
Ainda tá na fonte
(Tente outra vez!)
Você tem dois pés
Para cruzar a ponte
Nada acabou!
Não! Não! Não!...
Oh! Oh! Oh! Oh!
Tente!
Levante sua mão sedenta
E recomece a andar
Não pense
Que a cabeça agüenta
Se você parar
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!...
Há uma voz que canta
Uma voz que dança
Uma voz que gira
(Gira!)
Bailando no ar
Uh! Uh! Uh!...
Queira! (Queira!)
Basta ser sincero
E desejar profundo
Você será capaz
De sacudir o mundo
Vai!
Tente outra vez!
Humrum!...
Tente! (Tente!)
E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida
Han!
Tente outra vez!...
Viva o mestre! Viva Raul Seixas!!
Blogado por Ariel S. Nascimento às 16:18 0 análises Links para esta postagem
Relações: Poemas e Poesias
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
[O Apadrinhado] Capítulo I - O Regresso
"Estava quase no final do expediente. Gabriel, um garoto que estudava e trabalhava comigo, um grande amigo que eu tive, estava um pouco agitado.
– Cara, tem um trabalho pra entregar quarta-feira e ainda não fiz nada!!
– Relaxa, irmãozinho! – eu disse – Hoje ainda é segunda-feira!
– Mas Miguel, o trabalho é pra depois de amanhã!!
– Mas hoje a gente não tem a primeira aula. Nenhuma segunda tem primeira aula. Então vai pra casa, descansa, e começa a fazer o trabalho. É coisa rápida, meia hora você termina.
– Mas e sua carona pra facul?
– Nem esquenta comigo. Hoje eu também vou relaxar um pouco em casa e tirar essa maldita gravata.
Gabriel relutou um pouco. Ele é maçom, sabe? Igualdade, liberdade e fraternidade. Eu havia conseguido o emprego pra ele ali, então ele, seguindo a filosofia da fraternidade, sempre queria me agradecer de alguma forma. Mas insisti que ele fosse pra casa naquele dia.
Com a aula começando as 21:20, eu voltei do trabalho pra casa, tomei um banho, relaxei e depois fui pra aula.
Porém, assim que saí de casa, senti um calafrio. Fazia tempo que eu não me sentia daquele jeito. Naquela noite eu senti que alguma coisa horrível aconteceria comigo.
Eu geralmente pego três ônibus até chegar à faculdade. Tem o caminho de dois ônibus, mas o de três eu consigo chegar com 20 minutos de antecedência. Assim que desci do primeiro ônibus, caminhei esperto até o ponto onde eu pegaria o segundo. Havia um homem suspeito, mas fiquei bem atento. Pra falar a verdade, eu não via a hora do ônibus chegar, para cessar as encaradas que eu recebia daquele sujeito. Enfim, o ônibus. Eu subi, ele ficou.
Tive um pouco de dificuldades de entrar, pois estava bastante cheio. Procurei um local para sentar. Achei uma cadeira livre no fundão, última fila. Foi lá que eu sentei. Desencanei do mau pressentimento e relaxei, ouvindo música e de olhos fechados. Foi quando o cara do meu lado levantou-se e deu sinal. Ele desceu no ponto. O que estava na minha frente então mudou de lugar, sentando-se do meu lado. Puxou minha camisa, dizendo:
– Aí bacana, não se mete e manda logo esse celular bem louco aí, rapidinho, vai, vai, vai!
Eu olhei pra ele com um certo desprezo que não me era comum. Em uma situação qualquer eu simplesmente passaria o celular que eu tinha no meu bolso e morreria o assunto por ali. Mas daquela vez, por alguma razão inexplicável, hesitei. Foi então que eu percebi que eram dois moleques. Havia mais um na minha frente que gritava com olhos furiosos:
– Acho que você não tem medo né seu playboy filho da puta! Passa logo essa porra antes que eu encha sua cara de pipoco!!
Foi então que a ficha caiu. Eu realmente estava sendo assaltado. Dentro do ônibus. Quarenta pessoas ali, paradas, hipnotizadas pelo medo que tinham de serem atacas por aqueles delinqüentes. E os dois gritando, com raiva, com um ódio de alguém que parecia me culpar pelo fato deles pertencerem a uma classe menos favorecida, tendo que apelar para o roubo para cheirar a pedra de cada dia e fugir da realidade que ele se encontrava. Ele queria o meu celular, nem que pra isso tivesse que tirar a minha vida. Eu havia juntado alguns salários pra conseguir comprá-lo, mas não consegui ficar nem 3 meses com ele. Não era tão caro, qualquer 300 reais conseguia comprar. E o mais irônico é que no mesmo dia, de manhã, recebi uma proposta de assegurar meu celular pagando R$ 2,00 por dia para a operadora e recusei. Muito bem, lá estava eu, passando um pedaço do meu suor praquele cara que eu mal conhecia, mas que estava disposto a tirar a minha vida.
– Esse celular é legal hein! – disse o gordinho do meu lado, assim que o pegou.
– Vai, o fone também! – gritou o da minha frente, o mesmo que me ameaçava violentamente.
Eu olhava para o cobrador, mas ele, junto com os demais passageiros, estavam paralisados.
– Vai, playboy de merda! Dá o dinheiro!
– Eu não tenho dinheiro! – respondi.
– DÁ A MERDA DO DINHEIRO!!!
– EU NÃO TENHO DINHEIRO!! – gritei, exaltado e alterado pela adrenalina.
– Pára de gritar, porra! Dá logo o dinheiro!
– Eu não tenho dinheiro! Só papel e documento na carteira!
– Dá essa porra aqui, vai!
Com violência, ele arrancou minha carteira de minhas mãos, enquanto o outro tirava o meu relógio. Depois, enquanto o que estava do meu lado tirava o meu colar, o da minha frente gritava, dizendo que queria minha blusa. Tirei a blusa e dei pra ele, que imediatamente vestiu. O gordinho pegou minha mochila por uma alça. Pela outra eu segurei.
– Pô, minha mochila não! Meu material da escola...!
– Larga a mochila!! – ordenou o violento.
Os dois começaram a balbuciar frases como 'playboy tem que se foder' ou 'por que não mata logo esse playboy de merda?'. Mas o som estava ecoando baixo pra mim. Meu corpo tremia, eu sentia vontade de chorar. Foi quando o violento olhou pra mim e disse:
– Tá olhando o quê? Pára de me olhar, porra!
E me deu um tapão no rosto. O gordinho puxou o meu cabelo, me jogou no chão e me deu um chute no estômago. O violento, por sua vez, me deu um pisão nas costas. Eu não aguentei. Chorei. Chorei de dor. Chorei de raiva. Chorei de impotência. Meu corpo ainda tremia. Enquanto isso, os dois riam enquanto esperavam o motorista parar no próximo ponto para eles descerem.
Foi nesse instante que eu senti, padre. Senti o meu corpo agindo sem minha vontade. Eu tentei segurar, mesmo não entendendo o que estava acontecendo. Eu tentei, fiquei ali parado, me segurando. Se eu me movesse, poderia morrer. Foi aí que ele voltou.
'Vai mesmo ficar aí parado?' disse ele, em minha mente.
'Quem é você?' perguntei.
'Não, não sou o sua consciência não. Não se lembra de mim?'
Eu não respondi. Ele deu uma risada e disse:
'Hah, como você cresceu, meu filho!! Bem, olhe bem para aqueles dois garotos.'
Eu olhei. Estavam saciando a vitória deles. Estavam curtindo o momento.
'Eles, em alguns minutos, arrancaram o que você demorou 3 meses pra conseguir! Acha isso justo? Se você fosse mesmo playboy como eles estão dizendo que você é, estaria no mínimo dentro de um carro, não socado com mais quarenta medrosos dentro de um ônibus. Acha mesmo isso justo?'
'O mundo não é justo. Não sei quem é você, mas não adianta tentar me fazer reagir. Tem muita gente aqui.'
'Você tem uma memória fraca, meu filho. Não se lembra do seu melhor amigo?'
Foi então que eu lembrei dele. De olhos arregalados, eu disse, em meus pensamentos:
'Você voltou?! Aonde estava esse tempo todo? Eu precisei muito de você, sabia?'
'Sim, eu sabia, meu filho. E é exatamente por isso que eu me ausentei. Com a morte de nossa querida mãe, achei que precisasse mais de mim do que nunca.'
'Então por que foi embora?'
'Depois eu te explico, garoto. Agora você tem algo mais importante pra fazer: recuperar o que é seu.'
'Como vou fazer isso?'
'Não se preocupe, eu faço isso pra você. Mas, para que não coloque a vida de outras pessoas aqui em risco, é melhor esperar que eles desçam do ônibus. Aí é só correr, descer e dizer o meu nome. Diga o meu nome que então eu ajudarei.'
Eu fiquei meio assustado e com medo. Mas ele, naquele momento, era o mais próximo de amigo que eu poderia ter. Finalmente o motorista parou o ônibus em um ponto sem nenhum movimento, dentro do bairro. Os dois garotos desceram gritando:
– Valeu motorista! Hehehehe!
– É, a noite foi boa! Valeu!
Antes da porta fechar, corri e também saí. Imediatamente os dois perceberam e se viraram.
– O que pensa que vai fazer, seu playboy de merda? – perguntou o violento, com uma expressão terrivelmente ameaçadora e com a mão direita na cintura, segurando o revólver.
– Eu vim buscar o que é meu. – respondi, dizendo logo em seguida, em voz baixa: – Loki.
Foi então que eu apaguei. Foi uma experiência como eu nunca havia visto antes. É como se eu tivesse, naquele instante, me projetado pra fora do meu corpo, deixado que outro assumisse o controle.
O elemento apontou o revólver em minha direção e disse, gritando:
– Vá se foder, seu merda!! Não te matei mas você merece morrer! Veio buscar o que é seu? Então toma!!
E atirou. Um tiro que varou minha cabeça, me jogando no chão. Dois outros tiros que vararam o meu peito. Eu estava morto. Eu havia visto, como um espectador, alguém me matar. E mais uma vez nada pude fazer. Tentei gritar, mas a voz não saía. Tentei chorar, mas lágrimas também não saíam. Foi então que eu vi, e na mesma terrível surpresa que os dois bandidos ficaram, eu me encontrei. Meu corpo levantou-se, sem apoiar no chão, como se do mesmo modo em que caí, voltasse a fita. Eu estava de olhos fechados, sangrando. De repente, ao abrir os olhos, as balas saíram com força do meu corpo, fechando imediatamente minhas feridas. Aqueles olhos de íris vermelha e pupila amarela. Foi então que percebi que Loki estava dentro de mim. Ele colocou as mãos no bolso e deu um enorme sorriso insano. Um sorriso malígno e doente.
– Que merda é essa?! – perguntou o gordinho.
O que estava armado tentou dar mais dois tiros, mas as balas explodiram antes de tocar o meu corpo. Loki começou a gargalhar.
– Ah, há quanto tempo eu não respiro este ar!! O mesmo ar que está entrando pela última vez em seus podres pulmões!!
Foi muito rápido. Loki, de um segundo para o outro, estava com o pescoço do gordinho em sua mão direita, estrangulando-o.
– Foi você quem me puxou pelo cabelo e que me deu um chute no estômago, né?
No desespero, o que estava armado saiu correndo. Loki continuou com o gordinho, jogando-o com força no chão.
– Deixa eu te mostrar como é ser humilhado por alguém que acha que é mais forte só porque tem uma arminha frouxa nas mãos!! Ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha!!
Com um sorriso insano, Loki puxou o cabelo do gordinho e começou a esfregar no chão, fazendo movimentos super rápidos pra cima e pra baixo. Quando já havia destruído boa parte dos tecidos do rosto do garoto, deu um chute em seu estômago que quebrou sua costela. Deu outro chute no estômago que quebrou a espinha. Deu uma gargalhada, abriu a braguilha da calça e começou a urinar no rosto ferido do gordinho que já estava inconsciente. Levantou pelo colarinho, bateu no poste e começou a dar fortes tapas na cara.
– Há, há, há, há, há, há!! Acorda, seu gordo desgraçado!!!
Assim que o gordinho recuperou a consciência, Loki o jogou no chão, fazendo morder a calçada. Com o pé na nuca do garoto, disse:
– Está na hora do jantar, sua bola de carne ridícula!!
Deu um forte pisão na nuca do gordinho. Retirou o celular do bolso do garoto, pegou a mochila, olhou pra cima, inspirou e desapareceu.
O bandido que estava armado corria por uma viela escura, desesperado. Começou a descer um escadão quando Loki apareceu em sua frente.
– Olá!! Ih, há, há, há, há, há!!!
O garoto, desesperado, descarregou o revólver em Loki. As balas, como da outra vez, explodiram antes de encostar no meu corpo. Loki deu um sorriso insano e começou a falar:
– Você, seu ladrãozinho filho da puta, acha que a sociedade tem culpa de você nascer todo fudido e desgraçado? Acha que pessoas inocentes têm que morrer só porque conseguem as coisas que elas querem e você tem que roubar pra conseguir o que você quer só porque acha difícil ter que trabalhar? É mais fácil e mais prático roubar, né? Você, seu filho da puta, acha que é pobre por culpa dessas outras pessoas? Deixa eu te dizer uma coisa: você nasceu desgraçado porque talvez pudesse tirar o atraso e ser um campeão, como essas pessoas que você mata como se fosse formiga. Aliás, você teve a chance de ter uma vitória mais saborosa por ter começado do zero! Mas resolveu jogar tudo pra cima pegando o caminho mais fácil: a violência. Comigo, violência se cura com violência. E eu vou te mostrar o quanto a violência é cruel quando volta contra você.
Loki começou a espancar o garoto, como se ele fosse um boneco. Mas os golpes do demônio eram sobre-humanos. Com um simples soco, ele arrancava pedaços de dentes da boca do desgraçado. Com apenas um chute ele quebrava ossos e destruía tecidos e órgãos internos.
– Sabe o que é mais legal da violência? Quanto mais você pratica, mais ela fica divertida. Sabe de uma coisa, desgraçado? Não vou matar você. Vou fazer como fiz com o seu amiguinho: vou fazer com que você prefira a morte. He, he, he, he, he.... Há, há, há, há, há, há!
Loki pegou dois pregos que tinham no meio do mato que cercava o escadão. Agarrou a mão do sujeito e enfiou o prego debaixo de suas unhas, arrancando gritos e gemidos de sua vítima. Depois de fazer isso com todos os dedos, cravou os dois pregos no chão, agarrou o desgraçado pela blusa e disse:
– Está vendo isso? É a sua consciência cobrando! Ah, como sou ingênuo! Você não tem consciência!!
O garoto olhou desesperado para Loki que não aguentou e começou a gargalhar.
– Ah, você é realmente engraçado! Está praticamente pedindo misericórdia com esse seu olhar. Humilha, bate, mata. Mas quando é você quem está recebendo tudo de volta, implora por misericórdia. Ha, ha, ha, ha, ha, ha!! Você é realmente patético!!
Ele apontou o rosto do bandido para o chão. Com o mesmo sorriso insano, perguntou:
– Está vendo esse prego no chão? Está vendo? Pois então, será a última coisa que verá!!
Com um golpe super forte, atolou o rosto do garoto no chão, fazendo os pregos, mesmo na parte da 'cabeça', perfurarem seus olhos, além de estraçalhar o nariz do moleque, arrancando gritos desesperados.
– Ah, há, há, há, há, há! Como prometi, não vou te matar! Adeus, seu ladrãozinho filho da puta!
Loki recolheu os meus pertences que estavam com aquele cara, guardou na mochila e desapareceu. Perto da faculdade, ele reapareceu, olhou para cima e disse:
– Você está me ouvindo, filho? Não se preocupe, o karma será cobrado de mim. Você não tem nada haver com isso. Bem, me desculpe se fiquei ausente quando mais precisou de mim. É que, como eu vi que você precisava mais de mim depois que perdeu a sua mãe, comecei o ritual dos 6 anos. Este ritual prepara o meu corpo e o seu, para que possamos, juntos, nos tornarmos um só, um ajudando o outro. Espero que compreenda, Miguel.
Ao dizer o meu nome, foi como me tragar pra dentro de meu próprio corpo. Eu olhei para minhas próprias mãos. Estava pasmo.
'Não se preocupe, meu filho. Você está seguro comigo. Não morrerá, não sentirá mais humilhações e não perderá mais. Jamais. Continuarei te ajudando mentalmente, mas quando quiser me invocar, é só pronunciar o meu nome.'
E ali fiquei. Chocado, pensativo, assustado. Meu padrinho havia... regressado!"
Blogado por Ariel S. Nascimento às 23:28 0 análises Links para esta postagem
Relações: O Apadrinhado
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Recomendações para Alugar - Parte I
Algumas pessoas que indiquei a leitura da última postagem acharam que eu sou um pouco chato para filmes. Bem, na mosca. De fato sou bastante chato na hora de assistir a um filme. Mas não chego a ser um emo "do contra" que só gosta daqueles filmes que ninguém gosta alegando ser "para cérebros que sabem pensar" e não para a "massa massificada". Tudo bem, gosto desses filmes intelectuais também. Mas gosto de outras porcarias que as pessoas comuns gostam. E é por isso que venho aqui citar e indicar 5 filmes. São eles:
(Clique no título para ver o trailer)
A CORRENTE DO BEM
Imagine que você faça o bem para uma pessoa e, ao invés dela retribuir pra você, ela retribua pra mais três pessoas. E depois cada uma dessas três pessoas retribuam pra mais três pessoas, que retribuirão pra mais três, que retribuirão, e retribuirão, formando assim uma corrente. Essa foi a genial idéia do "Passe Adiante" surgiu de Trevor McKinney (Haley Joel Osment) para um trabalho de Estudos Sociais sugerido por seu professor Eugene Simonet (Kevin Spacey). Uma história bonitinha de um sonho de um garoto que, cansado de ver sua mãe (Helen Hunt) bêbada e seu pai (John Bon Jovi) bater nela e depois sair de casa, deu o primeiro passo para tentar mudar o mundo. Mas, como a verdade e o mundo é cruel, ele tem que passar por muitas dificuldades, que o farão chegar perto da desistência. Filme muito bom, bonito e com um final surpreendente. Chorável e recomendável.
EFEITO BORBOLETA
O que você faria se pudesse voltar no passado para poder mudar o presente e o futuro? O jovem Evan (Ashton Kutcher), enquando garoto, tinha surtos de esquecimento, como se um momento que ele acabara de passar não existisse em sua mente, como se estivesse em branco, esperando que Evan preenchesse como achasse que fosse certo. "O bater das asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do planeta". Durante a idade universitária, Evan descobriu que podia voltar no tempo só de tentar se lembrar do que havia acontecido nesses "apagões", e que, voltando no tempo, ele também poderia modificar seu passado, para consertar o presente e o futuro. Mas mudando pequenos atos em sua vida, Evan mudou bruscamente a vida de todos ao seu redor, incluindo a vida de sua paixão Kayleigh (Amy Smart), de seu amigo Lenny (Elden Henson) e de seu inimigo Tommy (William Lee Scott). Este filme possui dois finais, ambos surpreendentes. Vale muito a pena conferir. Recomendadíssimo.
CONSTANTINE
Deus e Diabo descidem fazer um jogo: quem será que consegue mais pessoas para seu lado? A Lança de Longinus, a mesma que desferiu o golpe fatal em Jesus Cristo, é uma arma que foi criada para matar seres divinos. Ela foi finalmente encontrada e apoderada por um homem que, desde então, é guiado pelos demônios. Enquanto isso, o suicídio da irmã gêmea da policial Angela Dodson (Rachel Weisz) é um mistério, uma vez que suicídio leva direto ao inferno, segundo a crença de uma católica praticante como ela. John Constantine (Keanu Reeves) terá que conseguir decifrar o enigma escondido por trás destes acontecimentos, descobrindo o elo entre eles, impedindo que o mal maior possa ocorrer. Ação, emoção e muita estória sem um pingo de incoerência. Para aqueles que adoram estorinhas de guerras entre Deus e o Diabo, esse será um ótimo filme.
LARANJA MECÂNICA
Um clássico do cinema, Laranja Mecânica conta a estória de um rapaz chamado Alex (Malcom Macdowel) que, juntamente com seus "Drugues", cometiam as maiores barbáries nas ruas da bela Dublin, motivados por uma droga conhecida como "Moloko" que proporcionava a "Ultraviolência". Porém, um certo dia, Alex, em um dos assaltos que cometia, acabou por assassinar uma velha e, pela traição de seus comparsas, que estavam cansados do jeito de serem tratados por Alex, acabou sendo preso. Na prisão acabou conhecendo um sistema que reduzia a pena cumprida por ele. Tratava-se de um método de cura de criminosos baseado em uma droga que impedia a violência de circular pelo corpo de quem a usava. Impedido de reagir a qualquer tipo de violência, Alex estava pronto para voltar ao mundo. O que ele não podia esperar era a vingança de suas vítimas. Vale muito a pena conferir. Baseado na obra de Stanley Kubrick, é um clássico com uma trilha sonora sem igual, atores muito bons e uma estória inspiradora. Extraordinária sátira à hipocrisia social.
O CONDE DE MONTE CRISTO
Qual o sabor da vingança? Edmond Dantes (Jim Caviezel), noivo de Mercedes Iguananda (Dagmara Dominczyk), recebe uma missão de Napoleão, mas seu melhor amigo, Fernand Mondego (Guy Pearce), pela inveja de Edmond ser mais feliz mesmo sendo pobre, o trai, fazendo com que ele seja condenado por um crime que não cometeu, sendo enviado para o Castelo d'If, conhecido por ser a prisão perfeita, onde nenhum prisioneiro jamais escapou. Foi neste castelo que Edmond Dantes planejou sua vingança, para executá-la no dia em que conseguisse sair de lá. Depois de tantos anos, finalmente chega o dia em que ele poderá servir-se deste prato frio. Não como Edmond Dantes, mas sim como o Conde de Monte Cristo. Filme histórico, marcante, surpeendente e muitíssimo recomendável. Talvez o melhor de todos estes citados neste post. Vale realmente a pena conferir.
Se vocês já assistiram a alguns destes filmes, puderam perceber que eu poupei o máximo de detalhes possíveis, certo? Coloquei o nome dos atores pra servir como indicação. Na próxima, mais cinco indicações de filmes que vocês não podem deixar de assistir.
Blogado por Ariel S. Nascimento às 23:34 0 análises Links para esta postagem
Relações: Filmes
High "Schoolacho" Musical 3
Bem, ontem foi um domingo no mínimo diferente. Fui levar minhas sobrinhas de 10 e 12 anos ao cinema. Chegando lá, foi decidido que o filme a ser assistido seria o famoso High School Musical 3, continuação daqueles outros filmes de musical com aquela gata da Vanessa Hudgens (aquela mesma que há algum tempo deu escândalo com alguns selfshots safadenhos que rolaram pela internê) e com o viado do Zac Efron.
Eu sinceramente nunca havia sentido vontade alguma de assistir a esse filme que, durante certo tempo, virou febre entre os adolescentes - desde os cool até os nerds, excluindo a raça de baladeiros que acham que são adultos de 13 a 16 anos. Muito bem, entrei na sala do cinema e dei uma reparada geral. É, a galera tinha em média 12/13 anos de idade. Eu não me senti incomodado não, afinal, estava com minhas sobrinhas ali, assim como vários pais que estavam com seus filhos.
Pra falar a verdade, eu detesto musicais. Teatros, novelas, filmes, programas, qualquer coisa do gênero. Amo música, detesto musical. Simples assim. Então eu não estava nem um pouco afim de assistir àquilo.
Foi quando surgiu a primeira cena. A cara enorme daquele moleque com expressão afeminada apareceu suando em um jogo de basquete. Aí foi a minha grande surpresa: o cinema INTEIRO começou a berrar, a surtar, a gritar coisas que eu jamais imaginaria que garotinhas de 12 anos gritariam. Gritos de "lindo", "gostoso", "aaaaaaaahhhhh" foram identificados por meu ouvido. Sim, lamentável. Essas crianças provavelmente não sabiam nem o que estavam gritando. Ou eu que esqueci que, como diria Bruce Wayne, "essa juventude está muito mudada". Bem, não se ouvia gritos de meninos, pois os poucos que estavam ali ou estavam acompanhando ou não achavam a necessidade de se esgoelar. Porra, menininhas de 12 anos gritando essas coisas imundas? Meninhas de 12 ou 13 anos não têm idade pra ficar achando homem gostoso. Nem moleque dessa idade de achar mulher gostosa. Pára, dá um tempo, que tal pegar a boneca ou o carrinho? Deu pra perceber a minha revolta, né?
Muito bem, a partir daqui, essa tirinha serve pra alertar àqueles que ainda querem assistir a esse pedaço de lixo filme:
Ok, o time do cara estava perdendo de uns 30 pontos de diferença. Estavam no último tempo, faltavam apenas 16 minutos.
EU: Se eles virarem o jogo, eu juro que saio do cinema.
KATY: Fica quieto e assiste o filme!
Bem, a Katy me segurou, porque eu estava falando sério. Imagine a seguinte cena: o Brasil está perdendo de 7 X 1 da Argentina e acaba de começar o segundo tempo. No último segundo do acréscimo, Kaká (a estrela) passa a bola para um jogador qualquer (figurante que quase não faz nada) e este marca o oitavo gol, fechando o placar em Brasil 8 X 7 Argentina. Ah, detalhe: eles fazem isso cantando, e na hora que o Kaká vai fazer um gol de falta, levanta uma mina da torcida e começa a cantar "Kaká, eu confio em você! Força! Dezesseis minutos!!". Foi mais ou menos isso que aconteceu no filme. É, tinha que ser filme.
Essa porcaria de longa metragem tem duração de aproximadamente 2 horas, mas pode ser resumido em 15 minutos se tirar as cantarolações irritantes que eles têm pra tudo. Vai brigar? Cante. Vai jogar basquete? Cante. Vai interpretar? Cante. Vai mijar? Cante. Vai matar uma formiga? Cante. É um inferno.
Mas o pior de tudo foi a féla da piiii que estava atrás de mim. Parecia estar jogando futebol de tanto que chutava a minha cadeira. E eu estava quieto na minha, hein! Quase levantei e mandei a féla da mãe ir pra casa do caralho. Mas tudo bem, agüentei bem até o final do filme. Aliás, nunca vi um filme ser aplaudido. Foi a primeira vez. Pirralhada adora inventar moda, né? Achei sadio até.
Depois do filme, a recompensa! Burger King esperando de uma forma maravilhosa, como se estivesse de braços abertos dizendo: "Venha e faça do seu jeito!"
E pra completar o domingo, TRICOLOR PAULISTA EM PRIMEIRO na tabela do Campeonato Brasileiro. Pois é, valeu meu esforço naquele cinema, foi bem recompensado. E sabe o que é melhor? Estamos em primeiro NA SÉRIE A DO CAMPEONATO!! Hehehehe...
Bem, essa foi a minha opinião sobre o filme. Rostinhos bonitos não faltam. Fôlego pra dançarem e cantarem menos ainda. A parte ruim é que eles fazem isso a cada 2 minutos, o que faz com que o filme tenha praticamente nada de estória. E filme sem estória já bastam os pornôs.
Não fui muito ao cinema neste ano. Mas com certeza, de todos os filmes que assisti esse ano (contando os da TV e os que eu aluguei), o melhor foi o Cavaleiro das Trevas. Putz, aquele Coringa é demais!!!
Essa foi a minha opinião sobre o filme. Meramente minha. Se eu não gosto de musicais, deixe que eu me expresse. E se eu acho que pirralhas de 12 anos não deveriam gritar "gostoso" por nem saberem o que é isso, deixem eu me expressar. E praqueles que acham que eu sou uma escória só porque estou esculachando esse filme pop-teen very very cool, um recadim:
Blogado por Ariel S. Nascimento às 17:58 0 análises Links para esta postagem
Relações: Prosopopéia do Cotidiano








