
Ela estava sozinha. Desatenta, distante, distraída. Do outro lado, a mesa do café estava posta. A sala, vazia.
Jovem menina, sempre foi o centro de sua própria atenção. A criança que queria ser adulta. A adulta que queria ser criança.
Sua mãe falou, ela até tentou compreender. Mas uma sombra pairava sobre seus olhos. Sombra intencional. Ela não quer encarar o presente. Ela não quer me encarar.
Ela correu. Não dava pra negar, realmente havia algo de errado.
Entrei em seu quarto, todo pintado. Lá, deitada, ela abafava o choro em seu travesseiro. Sentei-me ao lado dela, repouseu minha mão em sua cabeça, alisando seus cabelos levemente cacheados. Minha voz, calma e suave, mal ressoou quando foi abruptamente interrompida por outra, com uma delicada ira:
– Não me chame de filha! Isso não faz o menor sentido!
Eu continuei passando minha mão em seus cabelos. Ao mesmo tempo em que eu tinha a impressão de que ela estava se acalmando, notava que seu choro era mais intenso.
– Eu posso não ter sido alguém muito presente em sua vida. Posso ter te dado a impressão de que não ligava pra vocês e que fingia que vocês não existiam. Eu realmente não queria que nada disso tivesse acontecido, filha!
– Não me chame de filha! Eu já disso que isso não faz nenhum sentido!
A criança levantou-se bruscamente e fingiu desatar a correr. Seu choro foi mais forte, fazendo-a parar.
– Não me chame de filha! Não faz sentido... não faz! As fotos mostram que não faz! Você nunca esteve com a gente! Você nos abandonou! Eu nem sei direito qual é o seu nome, droga!
Era nítido que ela não conseguia segurar suas lágrimas. Seu belo rosto, vermelho e molhado, possuía uma expressão de raiva carente. Em volta, todas as bonecas e ursos testemunhavam a cena. Eu me levantei. Ela ficou de costas.
– Filha...
Repentinamente, a ela virou-se, atirando-se em meus braços. Com o rosto apertado em meu peito, ela soluçava.
– Está tudo bem, filha. Está tudo bem... Não precisa correr ou se esconder. Você sabe, de qualquer forma, que eu te amo! E essa é minha chance de te mostrar! Eu acredito nisso! Acredite nisso... não espere pelo amanhã, pois pode ser que ele não venha! Por favor, filha! Esse é o meu argumento, minha chance de me libertar. Dê-me este dia, e meu mundo nunca mais será o mesmo.
Ela continuava chorando. E cada vez que soluçava, me abraçava mais forte. Com a voz fraquejada, sussurrou em um tom quase mudo:
– Pai... não me deixe mais!
– Está tudo bem, filha... está tudo bem!
Inspirado na música "Daughter" e "It's Ok" (Pearl Jam)







5 análises:
Yo!
Salva mano!
Gostei hein, por um segundo eu imaginei que o cara fosse um assassino tentando matá-la!!! Mas no final, vi que não era nada disso! De qualquer forma, show de bola! Continua nesse ritmo, que tu vai longe hein, fi??!
Ariel, vira escritor de romances logo, vaiii!
Adoooro seu jeito de escrever, a gente vai vendo a cena e entendendo toda a situação somente no fim! Muuuito Bom!
Esse seu modo de basear-se em letras é fantástico!
O texto e a imagem estão ótimos! Parabéns mais uma vez^.^!
Bjinhussssss!
e eu achei que fosse algo relacionado ao tio da sukita,
mas depois fui vendo a similaridade com a música.
boa essa sua capacidade de dramatizar uma música.
nice one!
mto foda amor...
que triste, mais é a realidade como vc e o Pedro falaram na sala..
ééé Filó !! Ninguem gosta da realidade ! Mas aprendemos muito com ela.....
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