
Não sei, acho que é sina. Um dom, ou uma maldição, sei lá. Só sei que pra mim, e parece que só pra mim, esse mundo é pequeno. Aliás, esse mundo é muito pequeno. Correção: esse mundico é minúsculo. Essa constatação foi repentina ao mesmo tempo que inacreditável. Se formos analisar bem a situação, é até inaceitável alguns fatos. Parecem mentira, mas não é. Vamos aos casos.
1. Na empresa de construção civil
Ano passado eu comecei um estágio em uma empresa grande. Eu estava adorando, consegui me enturmar com extrema facilidade com o pessoal lá. Almoçava com todo mundo, trocávamos idéias e discutíamos teses (juristas, meus caros, juristas). Bem, entre nós, os estagiários, houveram 2 que realmente me assustaram. Depois tiveram mais 2 funcionários de lá que também me assustaram. Bem, vamos em partes:
a) Cauê: Conversa vai, conversa vem, descubro que ele passa do lado da minha casa quando vai trabalhar. Até aí, normal, melhor até. Não perdi a oportunidade e arrumei a carona. Em um dos dias que conversávamos durante o caminho, saiu o assunto de colégio. "Meu colégio era isso", "meu colégio era aquilo", entre outros. Foi então que resolvi perguntar o nome do colégio que ele estudava. Uau, era o mesmo colégio que estudei na 5ª série! Bem, não importa, coincidências acontecem. Perguntei então qual foi o ano que ele se formou... 2005? Isso é duvidoso. Perguntei em qual sala ele estava em 1999. Caramba!!! Eu conhecia o moleque e nem me dei conta disso!! Ele, idem. Coincidência pouca é pros fracos.
b) Hussein: Eu estava conversando com o pessoal na hora do almoço e rolou o papo de como a gente levava as nossas namoradas pra casa. Bem, eu tenho carta, mas não tenho carro. E acreditem, eu consegui uma mina mesmo não tendo carro! Enfim, comecei a explicar qual o caminho que eu fazia, qual ônibus eu pegava pra acompanhá-la até em casa. Foi quando o Hussein disse que, antes dele ter carro, ele fazia o mesmo percurso com o mesmo ônibus pra ir pra casa. Começamos a investigar e... bomba!! O CARA É VIZINHO DA MINHA NAMORADA!! Vizinho mesmo, sem sacanagem. Comprovei já isso, fui jogar truco outro dia lá na casa do cara.
c) Cristiane: Bem, meu amigo e eu estávamos conversando sobre uma menina bonita que a gente conversava quando eu trabalhava lá. Eis que quando eu a encontro no orkut, vejo nossos amigos em comum: ela conhecia minha irmã! E a gente nunca tinha falado sobre isso. Comecei a conversar com ela e acabei descobrindo que ela é amiga do guitarrista da banda do meu cunhado. Heh, não é possível, né?
d) Bruno: Esse foi tão bizarro quanto descobrir que o meu colega de trabalho era vizinho da minha namorada. No meu último dia naquela empresa, comecei a conversar com esse cara. Perguntei a faculdade que ele fazia e qual o curso. Engenharia de Produção na Uninove? Ok, qual o ano e o semestre? Segundo ano e 4º semestre??? O cara era da sala do meu irmão!! Perguntei se ele o conhecia e, pasmem, ELES SE CONHECIAM!!! Não estou mentindo, só não coloco aqui o orkut deles porque é anti-ético fazer isso.
Inacreditável? Não pára por aí não.
2. Faculdade
Ano passado eu fiz transferência de faculdade. Passei de uma lixo pra uma sensacional. O preço que tive que pagar por isso foi, digamos, diferente e trabalhoso: sete matérias de adaptação. Pois bem, vamos lá, conhecer gente nova. Vamos novamente por partes:
a) Marcelo: Gente finíssima, com um senso de humor excêntrico, de modo que você não consegue ficar ao lado dele sem morrer de rir, se divertindo com cada palavra que ele fala. Ele passa pertinho da minha casa também, o que me fez tornar uma
b) Pedro: Esse é o mesmo cara cuja menina supra citada é da mesma igreja que ele. Porém, ocorreu algo engraçado também. Em um dia desses, fui eu num evento aí qualquer. Ouvi o nome da menina que estava ao meu lado. Ela não era tãaao chamativa assim, até meio tímida, mas já que era um nome diferente e fácil decorar, resolvi fazer algo diferente: procurá-la no orkut depois, só pra fuçar, já que ela nem tinha notado a minha presença ali. Eis que quando coloco o nome dela ali vejo os amigos em comum: Pedro! Sim, o cara conhecia a mina!! E olha, não é fácil não, ali naquele evento tinha umas quatro mil pessoas espalhadas por vários cantos, longe de qualquer lugar onde eu poderia encontrar alguém que eu conhecesse, e, justamente a menina que estava do meu lado conhecia meu amigo?? É um dom. Ou maldição.
c) Fernanda: Bem, esse caso foi o que me deixou mais injuriado. Meus pais são de uma cidadezica minúscula que ninguém conhece chamada Santo Antônio do Grama. Bem, ninguém conhece mesmo, é impossível você perguntar pra alguma pessoa, mesmo os mineiros, aonde fica e eles saberem te informar. Digo sem medo: ninguém conhece. Cidade do interior sem atração turística, sem faculdade, e se bobear nem colegial tem lá. Apesar disso, a cidade é muito boa. Tranquila, biciletável, pescável, cavalgável. Minha irmã, em uma de suas buscas por pessoas conhecidas porém descontactadas pelo tempo, encontrou um primo torto (primo do primo) que morava naquela cidade e que brincava com a gente quando éramos crianças. Eis que quando vou adicioná-lo, vejo em nossos amigos em comum: uma colega de sala da faculdade. Caramba, o mundo ser pequeno naquele instante já bastava, mas eu tinha que saber como ele a conhecia. O mais fantástico (e talvez absurdo): o pai dela também é daquela cidade!! E o mais impressionante: o tio dela é marido da irmã da cunhada da minha mãe! Somos praticamente primos!! Na mesma faculdade, beleza. No mesmo curso, coincidência. No mesmo semestre, duvidoso. Na mesma sala, VSF!!!
Desisto dessa sina. Desisto de tentar compreender os mistérios da vida. Desisto. Quanto mais eu tento, mais eu me confundo!! Desisto.












